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Setembro Amarelo: a conscientização e prevenção ao suicídio precisa ser construída desde a infância!
Setembro Amarelo: a conscientização e prevenção ao suicídio precisa ser construída desde a infância!
Falar sobre morte, em geral, sempre foi tabu. Quando o assunto surge sempre vem seguido de: “mas tem que pensar no agora!”, “não fica pensando nisso”, “credo” e outras reações que podem ser mais ou menos passionais; a questão é que esse medo de abordar o assunto acaba fechando portas para discutirmos assuntos muito importantes relacionados à saúde mental e suicídio. Sabemos que é um assunto que não surge naturalmente, mas é preciso ir além do “está tudo bem mesmo?”. Felizmente, a Campanha Setembro Amarelo é uma oportunidade para isso!
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), todos os anos cerca de 800.000 pessoas tiram a sua própria vida — o que corresponde a um suicídio a cada 40 segundos pelo planeta. Isso sem contar as tentativas, se forem contabilizadas seriam mais 16 milhões, ou seja, a cada 1 suicídio consumado, outras 23 pessoas tentaram tirar a própria vida em algum lugar do mundo. O pior desses números é que eles são subnotificados; segundo a Veja, pesquisas recentes mostram que cerca de 30% de casos relacionados a tentativa ou consumação de suicídio não são contabilizados, podendo aumentar o número supracitado para quase 20 milhões.
A faixa etária entre 11 e 25 anos é uma das mais propensas, especialmente se estiverem enquadrados em alguma minoria étnica ou sexual. Segundo o Ministério da Saúde, “o suicídio é um fenômeno complexo, multifacetado e de múltiplas determinações, que pode afetar indivíduos de diferentes origens, classes sociais, idades, orientações sexuais e identidades de gênero”. Mas ele pode ser prevenido.
Muitos fatores podem estar relacionados ao risco de suicídio, como depressão e outras doenças psiquiátricas, mas também o peso desse jovem estar enfrentando alguma dificuldade — de problemas familiares, econômico-sociais até questões como (ciber)bullying, (ciber)stalking, sextorsão, dentre outros crimes digitais que se utilizam da vergonha da vítima para continuar tendo controle sobre ela, como ocorre nas “panelas do discord”.
Como perceber os sinais?
Não existe uma fórmula exata para identificar quando alguém está passando por uma crise suicida ou se apresenta alguma tendência nesse sentido. Porém, pessoas em sofrimento tendem a apresentar sinais de alerta, especialmente quando vários aparecem ao mesmo tempo, e esses devem ser observados por familiares e pessoas próximas. Confira alguns a seguir:
- Expressão de ideias ou de intenções suicidas – Fiquem atentos para os comentários do tipo! Pode parecer óbvio, mas muitas vezes são ignorados ou interpretados como “drama”: “Vou desaparecer”; “Vou deixar vocês em paz” “Eu queria poder dormir e nunca mais acordar”; “É inútil tentar fazer algo para mudar, eu só quero me matar”.
- O aparecimento ou agravamento de problemas de conduta, ou de manifestações verbais durante pelo menos duas semanas.
- Isolamento persistente, com afastamento de familiares, amigos e grupos sociais.
- Sentimentos de falta de esperança.
- Desinteresse, dificuldades ou prejuízos no desempenho e aprendizagem escolar.
- Ansiedade, agitação, irritabilidade ou tristeza permanentes.
- Alterações no sono e no apetite.
- Desinteresse por atividades de que gostava e desapego de pertences que valorizava.
- Baixa autoestima, com desinteresse e descuido com a aparência.
- Comentários frequentes negativos em relação ao futuro e autodepreciativos.
- Automutilação.
Como abordar o assunto?
Esse é o passo mais difícil, mas é possível deixá-lo mais leve! Ao invés de chegar diretamente no jovem abordando o tópico, que tal introduzir o assunto através de um filme? A Região de SP dos Escoteiros do Brasil fez essa matéria de como falar de Setembro Amarelo nas UELs e nela há uma lista com filmes que abordam saúde mental. Uma sessão cinema com pipoca pode ser um bom pontapé para começar essa conversa sem um clima pesado, veja aqui alguns:
- Por Lugares Incríveis (2020): Mostra os impactos do luto na juventude e como buscar apoio para seguir em frente.
- As Vantagens de Ser Invisível (2012): Aborda depressão, amizade e a importância de redes de apoio na adolescência.
- Divertida Mente (2015): Ensina de forma leve a compreender e valorizar todas as emoções.
- O Lado Bom da Vida (2012): Retrata a reconstrução da vida após uma crise e a relevância do tratamento.
- O Mínimo Para Viver (2017): Apresenta os desafios de transtornos alimentares e caminhos para superação.
- Up – Altas Aventuras (2009): Fala sobre resiliência diante do luto e a importância de recomeçar (e ainda tem um personagem escoteiro!).
- Viva – A Vida é uma Festa (2018): Ajuda a tratar morte e luto de forma sensível e acolhedora.
Depois de “quebrar o gelo” lembre-se que conduzir a conversa com empatia é o principal, não tente buscar soluções ou justificativas superficiais. A “positividade tóxica” nesses discursos pode aumentar o sofrimento ou gerar culpa em quem escuta, além de quebrar a confiança para esse tipo de diálogo. Não incentive jovens a procurarem você para conversar se não se sentir preparado para acolher.
Exemplos do que não dizer:
- “Não cometa suicídio porque a vida é linda.”
- “Aprenda a ser grato ao que você tem.”
- “Tem tantas pessoas passando por situação pior que a sua…”
- “Você está assim porque parou de ir à igreja.”
- “Isso é falta de Deus no coração.”
- “É falta do que fazer, mente vazia é oficina do diabo.”
- “Você precisa pensar positivo.”
- “Não fique assim! Você tem a vida toda pela frente!”

Se não souber como ajudar, seja transparente. Você pode dizer sinceramente: “Não sei exatamente o que fazer ou dizer para te ajudar, mas você é importante para mim. Quero estar ao seu lado e buscar, junto com você, o apoio necessário para aliviar essa dor.”
O que você pode dizer para ajudar:
- “Você não precisa passar por isso sozinho, estou aqui para te apoiar.”
- “Estou aqui para te ouvir, se quiser falar sobre o que está acontecendo.”
- “Conte comigo. Podemos encontrar juntos um profissional para te ajudar.”
- “Você é uma pessoa maravilhosa, e eu acredito no seu potencial.”
Além disso, é importante ter um ponto de apoio com a família desse jovem, para indicar que é necessário mais atenção a ele — como conversas mais próximas e ações como remover do alcance os objetos que possam causar risco, como facas, tesouras, medicamentos e afins — e também para ajudar na busca de profissionais especializados. No Movimento Escoteiro, você pode buscar o auxílio pelo Espaços Seguros; assim, de forma multidisciplinar, pode junto com a família, com o jovem e os profissionais que estão o tratando, traçar estratégias para o manejo de crises caso elas venham a acontecer.
No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento gratuito e sigiloso 24 horas por dia, pelo telefone 188 ou pelo site www.cvv.org.br . Além disso, serviços públicos de saúde mental (como o CAPES) e hospitais universitários também contam com programas de apoio para jovens e suas famílias.
Sempre Alerta! Você não está sozinho!
Bibliografia:
- A epidemia invisível: o aumento alarmante do suicídio no Brasil — Por Wagner Gattaz, publicado pela Veja em 19/09/2024. (último acesso em: 10/09/2025)
- Setembro Amarelo: ‘Não sofra sozinho’; veja onde procurar ajuda no DF — Por Daniela Ramos, publicado pelo g1 em 11/09/2023. (último acesso em: 10/09/2025)
- Setembro Amarelo: sinais de alerta para o suicídio na infância e adolescência — publicado por Pequeno Príncipe em 09/09/2022. (último acesso em: 10/09/2025)
- Setembro Amarelo: acolhimento é a melhor forma de prevenção ao suicídio — publicado por Pequeno Príncipe em 16/09/2022. (último acesso em: 10/09/2025)
- Setembro Amarelo: saiba como agir caso alguém busque apoio — publicado por Pequeno Príncipe em 23/09/2022. (último acesso em: 10/09/2025)
- Redes sociais: o dilema provocado por conexões frágeis para a juventude — Por Iza Carvalho, pelo Correio Braziliense, publicado por Estado de Minas em 27/09/2023 (último acesso em: 10/09/2025)
- Setembro Amarelo: Lidando com o tema na UEL — por Maju, publicado em Escoteiros do Brasil São Paulo em 15/09/2021 (último acesso em: 10/09/2025)
- Cartilha – Suicídio: Informando para Prevenir — por Campanha Setembro Amarelo® (último acesso em: 10/09/2025)
Como a natureza fortalece a saúde mental dos jovens
Entre estudos, compromissos e a rotina acelerada, muitos jovens acabam passando a maior parte do tempo em frente a telas ou dentro de salas de aula e outros ambientes fechados. O que parece normal no dia a dia, no entanto, pode cobrar um preço alto: estresse, ansiedade, depressão, insônia e até desenvolvimento de outros transtornos psiquiátricos.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em todo mundo, 14% das crianças e adolescentes, entre 10 e 19 anos, têm algum tipo de transtorno mental. Já no Brasil, um levantamento da Fundação José Luiz Egydio Setúbal estima que cerca de oito milhões de menores enfrentam este cenário, aproximadamente um entre 5 jovens. Mas sabia que além do tratamento médico, há uma solução mais simples (e gratuita) para lidar com essas questões? Diversos estudos comprovam a eficácia de atividades ao ar livre melhoram a saúde!
Uma pesquisa publicada no JAMA Network Open mostrou uma melhora no bem-estar de estudantes após escolas acrescentarem tarefas na natureza à grade curricular (mais um motivo para investir no Escotismo nas Escolas, hein!). Além disso, um estudo revisado por pares da Universidade de Utah publicado na revista Ecopsicologia, concluiu que passar ao menos 10 minutos em contato com a natureza ajuda a aliviar sintomas de ansiedade, estresse e depressão e tiveram efeitos positivos ainda maiores em participantes diagnosticados com transtornos do humor. E, falando mais especificamente sobre Escotismo, uma pesquisa da Universidade de Edimburgo concluiu que pessoas que foram escoteiros quando jovens tiveram menos risco de ter problemas mentais quando estavam com 50 anos de idade!

Dentre os benefícios de estar em contato com a natureza estão:
- Redução do estresse e ansiedade.
- Melhora do humor.
- Aumento da criatividade.
- Melhora da concentração, memória e capacidade de resolver problemas.
- Redução da pressão arterial e melhora dos batimentos cardíacos.
- Melhora da qualidade do sono.
- Fortalecimento do sistema imunológico.
E isso vale para todos! Mas quando falamos da saúde mental dos jovens, que estão em construção de si mesmos, precisamos olhar com carinho para o processo de desenvolvimento. Isso significa ajudar a construir autoestima, desenvolver habilidades para lidar com emoções e relações, ao mesmo tempo em que se está aberto e curioso para aprender com o mundo. E que forma melhor de aprender do que explorando? No Programa Educativo, é isso que acontece. Através das atividades que os jovens encontram espaço para se desafiar, fortalecer vínculos e descobrir mais sobre si mesmos. E esse contato com a natureza e com o grupo cria experiências que não só estimulam o aprendizado, mas que também trazem todos os benefícios que já foram citados!
Mas como conseguir aplicar isso na rotina?
Na correria do dia a dia nem sempre há tempo para uma caminhada no parque, mas você pode tentar trazer um pouquinho da natureza para mais perto de você com essas dicas!
- Jardinagem: pode ser uma plantinha ou uma mini-horta, isso já cria conexão diária com a mãe natureza. Ah, e não fique triste se as primeiras não vingarem! O importante é continuar tendo esse contato com a terra!
- Sempre que possível opte por caminhar ou pedalar por ruas arborizadas, ou parques, no seu trajeto diário.
- Faça pausas durante seu dia: pode ser na hora do almoço ou durante um cafezinho da tarde, aproveite esse momento para ir a um ambiente externo. Pode ser numa varanda, terraço… O importante é sentir o sol na pele por alguns minutos.
- Observar a vida ao redor: durante suas pausas, evite ficar com telas. Aproveite esse momento para apreciar o céu, suas cores e nuvens, os pássaros voando, as formigas trabalhando… O extraordinário está no simples e são esses momentos que nos dão um “respiro” essencial para nossa saúde física e mental.
- Decorações naturais: trazer um pouquinho do lado de fora para sua casa ou trabalho é mais fácil do que parece! Invista em plantas de fácil cuidado — suculentas, samambaias e jiboias purificam o ar e deixam o espaço mais vivo — e fontes pequenas para trazer sensação de tranquilidade. Você também pode usar óleos essenciais, incensos ou velas com fragrâncias de plantas e flores para deixar o ambiente mais aconchegante
BIBLIOGRAFIA:
- Pesquisa incentiva escolas a fazerem atividades ao ar livre visando a saúde mental das crianças — Por Maria Clara Pinheiro, publicado por Terra em 24/03/2025 (último acesso em 16/09/2025)
- Como o contato com a natureza traz benefícios para a saúde mental? — Por Isabella Bisordi, publicado por Terra em 14/06/2025 (último acesso em 16/09/2025)
- Passar ao menos 10 minutos na natureza ajuda a aliviar sintomas de ansiedade e depressão — Por Sílvia Haidar, publicado pela Folha de S. Paulo em 19/07/2024 (último acesso em 16/09/2025)
- Os benefícios do escotismo na saúde mental — Por Ingrid Janaina da Silva Foresto e Juliano Ferreira Arcuri, publicado por Escoteiros do Brasil (Regional São Paulo) em 18/02/2021 (último acesso em 16/09/2025)
Como o voluntariado melhora sua qualidade de vida?
O mês de setembro é conhecido pela campanha de conscientização ao combate do suicídio e é quando há mais destaque sobre a temática de saúde mental, mas você sabia que o voluntariado também é uma forma de cuidar dela?
- Redução do estresse e da ansiedade
- Maior senso de propósito e significado
- Melhora da autoestima e do bem-estar emocional
- Diminuição do risco de depressão
- Sentimento de pertencimento e reconhecimento social
Esses fatores se somam ao prazer de perceber que é possível causar impacto positivo na vida de alguém e na sociedade. Além disso, traz uma melhora significativa da autoestima e da visão de si mesmo e do seu reconhecimento social por estar vinculado a uma causa com propósito, sentimento de pertencimento e satisfação em perceber que pode mudar algo na vida de alguém e na sociedade. Algumas pesquisas mostram resultados de ressonâncias magnéticas após um ato de altruísmo e o como a atividade neural muda para melhor!
Para que esse impacto seja de fato saudável, é importante entender que o voluntariado deve ser escolhido conforme disponibilidades de tempo, interesse e condições físicas e emocionais para que não se torne mais uma carga mental como se fosse uma “tarefa” a ser cumprida na sua rotina.
A psicóloga Flávia Marucci-Dalpicolo — professora do Departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento da FMRP/USP (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo) e diretora do Serviço de Psicologia Hospitalar do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto — reforça que realizar algo diferente da área de trabalho já ajuda a reduzir a autocobrança, justamente por desvincular o valor profissional do pessoal e das exigências por performance. Ela ainda acrescenta: “não há nenhum problema em ser voluntário apenas em uma ação específica ou por um período determinado. Sempre é útil e pode proporcionar bem-estar!”
Outro ponto essencial é o papel das instituições. Elas devem oferecer segurança e capacitação, criando um ambiente positivo para os voluntários. Lembre-se que é importante equilibrar o tempo dedicado, já que o excesso pode gerar estresse em vez de bem-estar. E isso é exatamente o oposto do que queremos, certo?
Cuidar da saúde mental pode estar em gestos simples, como dedicar tempo a uma causa maior. O voluntariado é uma forma de transformar vidas — inclusive a sua.
Que tal dar esse passo com a gente?
Seja voluntário nos Escoteiros do Brasil e descubra como pequenas ações podem gerar grandes mudanças!

Importância em Preservar a História de sua UEL
A história de uma Unidade Escoteira Local (UEL) vai muito além de anotações em livros ou fotos guardadas, é uma herança viva que conecta gerações e fortalece a identidade escoteira.
Lembrar do passado não é apenas reviver momentos, mas entender quem somos e como chegamos até aqui. Essa memória se mantém viva quando você participa ativamente: registrando atividades, ensinando técnicas, organizando arquivos e fotos do seu grupo. Cada uma dessas ações ajuda a transformar a história do grupo em algo dinâmico, construído e vivido por todas as pessoas que fazem parte dela.
Apesar de sabermos da importância de preservar a História e o patrimônio, ao longo dos anos, muitos registros importantes acabam se perdendo por não haver uma preocupação (ou prática) sistemática em compilar ou documentar esses dados. Infelizmente, isso se dá pela mentalidade na qual a história deve ser contada por “alguém importante”, sem considerar que — na verdade — a história é escrita por todos nós, como sujeitos ativos dela.
Mas isso não é algo consciente! Registrar nossa história nem sempre parece prioridade diante da correria e da falta de recursos. Porém, cada vez que isso fica de lado, é perdido um pedacinho do que foi construído por escoteiros e escotistas que deixaram sua marca no Movimento. Às vezes parece que esse registro é uma mera formalidade para uma lembrança que (muitas vezes) pode nem parecer tão grandiosa, mas que daqui a alguns anos pode ser extremamente relevante!
Quer um exemplo? A matéria “De onde surgiu o estereótipo de escoteiros venderem biscoito?”, feita em meados de fevereiro, foi produzida com o que pudemos encontrar online e em acervo da instituição; porém, algum tempo depois, nos mandaram vários e-mails e mensagens sobre uma ação de venda de biscoitos que ocorreu nos anos 80 no Rio Grande do Sul! Essas informações valiosíssimas não estavam disponíveis em nenhum lugar online e, agora, felizmente, estão documentadas nesse texto!
Imagina quantas outras histórias legais como essa estão escondidas em gavetas e baús nas mais diversas UELs desse Brasil!
No entanto, a história do movimento escoteiro é escrita todos os dias, e cada UEL possui um legado único que merece ser reconhecido e preservado. Cada grupo escoteiro representa uma parte valiosa do escotismo brasileiro, e, manter esses registros é uma forma de garantir que o legado do espírito de comunidade e o compromisso com os nossos valores seja transmitido às gerações futuras!

E como começar a registrar e preservar essas memórias?
Antes de tudo, é importante salientar que a história é construída em Patrimônio Material e Patrimônio Imaterial: duas dimensões complementares e igualmente indispensáveis!
O Patrimônio Material é tudo aquilo que é físico, palpável — no caso aqui abordado, é composto por documentos históricos, fotografias, uniformes, distintivos, artefatos e acervos físicos — e que serve como testemunho concreto da trajetória dessa UEL. Sua preservação garante que as evidências tangíveis da sua história resistam ao tempo.
Já o Patrimônio Imaterial, é o que representa a alma do Escotismo! Seja tanto em tradições como fogo de conselho, a Promessa Escoteira, eventos como o Jamboree e Moot, canções, quanto em memórias afetivas, “causos” ou depoimentos e valores transmitidos oralmente. Sua conservação é crucial para manter viva a chama dos princípios, assegurando que o espírito de fraternidade, serviço e aventura continue a inspirar jovens mesmo em um mundo em constante transformação.
Reconhecendo que patrimônio material e imaterial se entrelaçam para compor uma narrativa histórica completa, veja a seguir algumas iniciativas para preservar a história da sua UEL:
- Digitalização de registros: preserve fotos, documentos e artefatos (como distintivos) da UEL em acervos digitais e físicos para garantir que as informações fiquem acessíveis às gerações futuras.
- Eventos comemorativos: organize encontros, exposições e celebrações que revivam tradições, rituais e histórias, fortalecendo a identidade e o senso de comunidade.
- Acervos virtuais e físicos: crie e mantenha uma biblioteca ou museu com materiais históricos, depoimentos e registros que contem a trajetória da UEL.
- Entrevistas e relatos orais: grave depoimentos de membros antigos para preservar a memória imaterial, transmitindo experiências e lições pessoais.
- Oficinas e atividades pedagógicas: desenvolva programas e workshops que ensinem as tradições, os valores e as habilidades escoteiras, estimulando o engajamento dos jovens na preservação do patrimônio.
Preservar a história de uma UEL vai muito além de arquivar documentos e objetos, é também celebrar a essência do Escotismo e transformar cada atividade atual em elo entre passado e futuro, honrando todas as pessoas que ajudaram a construir essa trajetória — voluntárias, jovens e lideranças que dedicaram tempo e energia para fortalecer o Movimento. Mas isso não precisa ficar só na esfera burocrática, afinal, eventos especiais e homenagens também fazem parte dessa valorização!
Quando a nova geração participa desse cuidado com o patrimônio, aprende na prática como fortalecer a identidade de seu grupo, honrar o passado e tornar-se guardião desse legado.
Porque uma UEL que cuida do seu legado não apenas conta o passado — ela garante seu futuro.
Veja abaixo algumas ações que os Escoteiros do Brasil estão fazendo para preservação da história:
- Site Centenário (com linha do tempo)
- Livro de Patrulha (passo a passo a partir da página 33)
REFERÊNCIAS:
- Ensino de História, Patrimônio Cultural e História oral: preservação da memória através da oralidade. Vera Lúcia Silva de Almeida Oliveira, Otávio Ribeiro Chaves. 2020.
- Arqueologia do Saber. Michel Foucault. Trad. Luiz Baeta Neves. 5a edição. Rio de Janeiro: Forense Universitária, p. 15
- O retorno do fato. Pierre Nora. In LE GOFF, J. & NORA, P. (org). História: novos problemas. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1988, pp. 179-193
- Entre memória e história: a problemática dos lugares. Pierre Nora. Projeto História. São Paulo: PUC-SP. N° 10, p. 12. 1993.
- Patrimônio Cultural. Portal Iphan.
- Importância em Preservar a História de sua UEL. Celso Correia, Escoteiros do Brasil Regional de São Paulo
Mitos e verdades sobre Escotismo
A imagem do escoteiro disseminada por meio de filmes e da cultura pop ajudou a criar alguns estereótipos sobre o Escotismo e também reforçando alguns mitos. Sabe aquela historinha do “escoteiro que vende biscoito”…? Então, nessa mesma linha.
A questão é que além desse, outros mitos (e algumas dúvidas genuínas) também vieram ao longo do tempo… E sim, alguns até têm um fundo de verdade! Pensando nisso, preparamos uma seleção com 3 verdades e 3 mitos sobre o Movimento Escoteiro para te ajudar a entender melhor como ele realmente funciona. Leia abaixo e veja se consegue acertar todos!
1. Só crianças podem ser escoteiros
MITO! Os Escoteiros do Brasil são divididos em Ramos, que reúnem os jovens conforme a faixa etária e nível de desenvolvimento individual. São eles:
- Ramo Filhotes: de 5 e 6 anos que queiram descobrir o mundo brincando, em família e com amigos.
- Ramo Lobinho: de 6,5 até 10 anos que tenham energia para brincar e aprender coisas, coletivamente, com os amigos na Alcateia.
- Ramo Escoteiro: 11 até 14 anos que queiram descobrir novos territórios e experiências com um grupo de amigos.
- Ramo Sênior: 15 até 17 anos que estejam preparados para viver aventuras e superar desafios.
- Ramo Pioneiro: de 18 até 22 anos que desejem explorar o mundo e ampliar horizontes.
A partir dos 18, qualquer pessoa pode atuar como adulto voluntário, sem limite máximo de idade!
2. O escotismo forma laços em todo o mundo
VERDADE! O Movimento Escoteiro está em mais de 170 países espalhados no mundo todo. Todos unidos pelos princípios e valores de Baden-Powell, cada um adaptando o Programa Educativo conforme sua cultura e rotina, mas sempre com a mesma missão de deixar um mundo um pouco melhor do que o encontrou!
Inclusive, é bastante comum o intercâmbio entre escoteiros através de eventos mundiais (como Moot, Jota Joti e Jamboree). Diversos países também possuem Centros Escoteiros que podem ser visitados ou onde é possível realizar um intercâmbio, atuando no dia a dia conforme as necessidades locais. Nesses contextos, o Passaporte Escoteiro funciona como uma carta de apresentação internacional que identifica que você é membro do Movimento Escoteiro, facilitando sua participação e integração em atividades escoteiras ao redor do mundo. Veja mais sobre essa temática aqui!

3. Todo distintivo é uma insígnia ou especialidade?
MITO! Claro, a maioria dos distintivos e insígnias são associados a especialidades e grandes feitos. Mas alguns são comemorativos, sendo exclusivos de eventos ou de grupos, muitos também são trocados entre escoteiros para aumentar suas coleções! Essa troca também é bem comum com lenços 😄
4. Todo escoteiro sabe sobre sobrevivência
VERDADE… Mas CALMA LÁ! Isso não quer dizer que todo e qualquer escoteiro vai ser um expert em sobrevivência na selva ou algo do gênero!

O Método Educativo Escoteiro é baseado na autonomia e desenvolvimento de habilidades para a vida, dentre elas, técnicas de primeiros-socorros, sobrevivência na natureza e afins. Ou seja, pelo menos uma base sobre essas competências todo escoteiro vai ter!
5. Escotismo ajuda nos estudos?
VERDADE! Escotismo ajuda no desempenho escolar, desenvolvendo responsabilidade, foco, organização, trabalho em equipe, dentre outras habilidades. Além disso, ajuda a lidar com pressões e desafios (como provas e trabalhos) de uma maneira mais confiante e equilibrada.
6. O escoteiro precisa ser sempre exemplar.
MITO! O Escotismo é sobre desenvolvimento e crescimento pessoal, e nisso se inclui o aprendizado com os próprios erros. A Lei Escoteira é uma bússola para guiar os jovens, e não limitá-los! O importante é estar “sempre alerta”, não “sempre impecável” 💚

Desperrengueando: problemas comuns em acampamentos (e como evitá-los)
Todo entusiasta da vida ao ar livre já passou — ou irá passar — algumas situações inesperadas durante um acampamento, como esquecer de equipamentos importantes, animais “roubando” sua comida… Acampar é terapêutico, mas também é um exercício de resiliência. No fim das contas, isso tudo faz parte da jornada, não é mesmo?
Sabemos que o aprendizado vem da prática e, como escoteiros, queremos sempre ajudar! Por isso, separamos aqui algumas dicas, junto com nossa parceira NTK, para alguns dos perrengues mais comuns. Quem sabe elas não te salvam na sua próxima aventura?
1. Chuva entrando na barraca
Mesmo olhando a previsão do tempo, sempre há chances de uma chuva vir inesperadamente. Em muitos casos isso acontece e a barraca acaba tendo mais chuva do lado de dentro do que de fora… O que fazer?
Primeiramente, você deve especar a barraca corretamente e esticar o toldo ou sobre teto da própria barraca; na grande maioria das vezes, se estiver bem esticada e presa ao solo, isso não irá acontecer. Porém, se as coisas já molharam, você tem algumas possibilidades para contornar isso:
- emprestar o necessário de outros membro da patrulha (ou parceiros de camping);
- quando a chuva passar, é possível tentar secar tudo usando uma fogueira (o que não pode é ficar com roupa molhada!);
- se não houver solução e a chuva não der trégua, o melhor a se fazer é voltar para a casa.
Dependendo da área, você pode estar exposto a riscos de alagamento, comprometendo sua saúde e segurança; sabemos que isso pode ser frustrante, mas melhor prevenir do que remediar!
2. Esquecer algo muito importante (como lona, ferramenta de corte e afins)
Quem nunca esqueceu de algo importante e percebeu só quando chegou no destino, que jogue a primeira pedra! É aqui que você vai testar o seu “jogo de cintura”: em situações de campo, é necessário usar a criatividade para encontrar soluções com o que se tem na mochila e na própria natureza. Galhos, folhas, cipós ou objetos simples (como um cadarço ou um saco plástico) podem fazer toda a diferença!
Muitas vezes, o que foi planejado na cidade precisará ser adaptado à realidade do ambiente, mas isso faz parte da experiência! Você pode até ter passado por um perrengue gigante, mas pelo menos ficou com uma bela história para contar, certo? 😅
3. Barraca voando
Um dos perrengues mais clássicos em acampamentos! Felizmente, também é um dos mais simples de resolver!
Primeiramente, você nunca deve deixar ela montada sem nada dentro; por isso é importante realizar a ancoragem ou colocar alguma mochila dentro para fazer peso até você fixá-la!
Também é preciso se atentar a como você a prende no solo: às vezes, quando não consegue especar a barraca de primeira, as tentativas podem até acabar entortando o espeque e comprometendo todo o processo. Aqui, a solução é encontrar na própria natureza elementos que ajudem a firmá-la, por exemplo, com rochas e galhos de árvores. Além disso, você pode usar cordas e outros instrumentos que possua para prender as pontas em alguma destas coisas… Só não pode perder ela para a ventania!

4. Solo muito duro/rochoso, impedindo a ancoragem das barracas e pioneirias
Esse item relaciona-se diretamente ao 3º perrengue que citamos, porque a solução é a mesma!
Encontre na natureza elementos que te ajudem a firmar a barraca, como rochas, galhos de árvores, cipós… E cuidado ao forçar o espeque para não entortá-lo! Além disso, você pode (e deve!) usar cordas e outros instrumentos que tenha em mãos para prender as pontas em alguma base sólida. Dá para usar cadarços, cordões de roupas ou mochilas, tiras de tecidos, etc. Lembra que dissemos que é preciso ser criativo em campo? Esse é o momento perfeito para isso!
Uma dica dos nossos chefes escoteiros é de sempre ter no bastão da patrulha pedaços de corda enrolados, pensando nessas situações! Sempre Alerta!
5. Barraca com condensação (“suando” por dentro)
Outro perrengue clássico que acontece principalmente em dias úmidos ou frios! Para não passar por isso lembre-se que é muito importante não dormir encostado, assim como não deixar as coisas encostadas na parede da barraca, por ser nessas brechas que passa a umidade.
DICA NTK: Como reparar um furo no colchão inflável?
Agora que você já sabe como contornar os perrengues mais comuns, é hora de planejar melhor cada detalhe. Afinal, o ideal é não precisar usar essas dicas! Faça seu checklist, revise o trajeto, cheque a previsão do tempo e convoque seu grupo. O acampamento perfeito não é aquele sem erros — é o que você curte com tranquilidade, mesmo quando algo sai fora do planejado. 😉
Soft skills no Escotismo: as competências que jovens desenvolvem e o mercado valoriza
Sabia que escalar montanhas, organizar acampamentos ou liderar uma ação social podem ser seu diferencial no mercado de trabalho? Descubra como o Escotismo te dá habilidades que empresas estão procurando — e você nem imagina que já tem!
Hoje — dia 15 de julho — comemoramos o Dia Mundial da Competência dos Jovens, que vão muito além do que a escola os ensina! Quem participa do Movimento Escoteiro desenvolve, na prática, competências que fazem toda a diferença na vida pessoal, acadêmica e profissional. Comunicação, liderança, criatividade, empatia, resolução de problemas, trabalho em equipe… Tudo para estar sempre alerta ao que vem pela frente!
Nessa data queremos ir além do que as pessoas já sabem, por exemplo: aptidões com sobrevivência, acampamento, nós, atividades ao ar livre… Vamos tratar sobre as habilidades cobradas no mercado profissional.
Muitos jovens não sabem qual carreira ou profissão vão querer seguir, mas a certeza é que o mercado de trabalho está cada vez mais competitivo. Ser bom no que faz é o mínimo e agora as pessoas precisam mostrar diferenciais para se destacar dentre tanta concorrência. E é aqui que entram as soft skills!
Em tradução livre ao português, habilidades comportamentais, são as competências ligadas ao comportamento interpessoal, ou seja, aquelas que se referem à relação entre pessoas. Diferente das hard skills que podem ser aprendidas por cursos e workshops (traduzindo: habilidades técnicas, capazes de serem medidas e quantificadas por testes e certificados), as soft skills são as capacidades mentais, emocionais e sociais que as pessoas adquirem ao longo da vida; por exemplo: inteligência emocional, liderança, resiliência, cooperação, dentre muitas outras.
E um dos melhores jeitos de desenvolvê-las é fazendo parte do Movimento Escoteiro!
Mais do que acampamentos e aventuras ao ar livre, o Escotismo é uma escola de vida, onde jovens aprendem na prática como colaborar, resolver problemas e tomar decisões sob pressão. Em atividades que vão desde montar um acampamento até planejar uma ação comunitária, que você ganha habilidades como resiliência e adaptabilidade, além de empatia; úteis tanto para lidar com amigos quanto para futuramente se destacar profissionalmente. E o melhor? Você aprende se divertindo!

Tá… Mas por que eu devia me interessar nisso?
Pode não parecer o tema mais empolgante agora, mas logo você vai perceber o como é importante…
Uma das maiores dificuldades dos jovens de se inserir no mercado de trabalho devido a barreiras estruturais, como exigência de experiência prévia, a falta de alinhamento entre a formação acadêmica e as demandas do mercado, e as rápidas transformações tecnológicas que acabam “substituindo” os humanos em cargos iniciais.
Isso acaba se tornando um grande desafio, especialmente ao fazer seu 1º currículo, sem ter experiência. E (como se isso não fosse o suficiente) você ainda precisa passar por todo o processo seletivo…
Mas imagina chegar numa entrevista de emprego e, em vez de só falar do seu estágio, contar como liderou seu grupo num acampamento sob tempestade, improvisar um plano B quando tudo deu errado ou convenceu alguém a colaborar com seu projeto? Essas histórias não só impressionam — elas mostram que você sabe colocar a mão na massa e lidar com imprevistos, algo que nenhum curso tradicional ensina.
É assim que você transforma “coisa de escoteiro” em vantagem profissional, se destacando dentre várias outras pessoas!
Quais soft skills eu desenvolvo sendo escoteiro?
Em meados 2017, a revista Forbes publicou um artigo da diretora da associação Ashoka na Espanha e Portugal, Ana Sáenz de Miera, que explica os motivos para contratar uma pessoa que tenha sido escoteira. Os 10 pontos mencionados por ela são algumas das principais aptidões que você aprende nessa vivência:
1️⃣ Trabalho em equipe: a aprendizagem no Escotismo é, por natureza, cooperativa e baseada em projetos. Ao planejar acampamentos ou outras ações em grupo, os jovens dividem funções de acordo com suas capacidades e afinidades, entendendo que o sucesso depende da contribuição de todos.
2️⃣ Criatividade: moldada na prática, com desafios que exigiam soluções rápidas e eficientes. Por exemplo, improvisar abrigos durante tempestades inesperadas e preparar refeições para 10 pessoas com apenas cinco ingredientes (três deles sendo água, farinha e sal) — situações como essas transformaram cada perrengue em um verdadeiro laboratório de inovação.
3️⃣ Integridade: o senso de responsabilidade e justiça são valores inegociáveis. Respeitar os seus valores e a sua palavra é, inclusive, o 1º ponto da Lei Escoteira! Empresas até podem treinar outras habilidades, mas caráter não é uma delas!
4️⃣ Adaptabilidade: o escoteiro sabe liderar e ser liderado, justamente por ter passado por esses papeis dentro do seu grupo. Ao liderar, busca consenso, inspira confiança e toma decisões com coerência, sempre se colocando no lugar dos outros. E, quando liderado, colabora com respeito, ajudando a manter a união e o equilíbrio do grupo.
5️⃣ Empatia: como em uma empresa, um grupo de escoteiros reúne todos os tipos de crianças e jovens, com diferentes idades, habilidades e interesses, a convivência com essa diversidade resulta em uma maior tolerância, cooperação e respeito pelas diferenças. Segundo o psicólogo Daniel Goleman, autor de Inteligência Emocional, a empatia não se trata apenas de fazer o exercício mental de se colocar no lugar do outro; mas diz respeito a de fato estar pronto para ajudar — não coincidentemente, o nosso lema principal é “Sempre Alerta Para Servir!”
6️⃣ Dedicação: desde cedo, a vivência no Escotismo ensina a importância do esforço e da superação. Em meio à natureza, cada desafio prepara o jovem para cuidar de si, persistir mesmo quando parece impossível dar mais um passo e superar limites. A Lei Escoteira já traz isso com “O escoteiro é alegre e sorri nas dificuldades”.
7️⃣ Gestão de Metas: dentro do Movimento Escoteiro (independente do Ramo) os jovens aprendem a definir e avaliar objetivos, agir para atingí-los, realizar e receber feedbacks construtivos através da Progressão Pessoal — aptidões que serão grandes diferenciais para a sua vida profissional.
8️⃣ Generosidade: “dar” e “partilhar” são verbos essenciais no dia a dia de um escoteiro. A água do seu cantil é compartilhada com quem precisar, e um dirigente pode investir até 1.000 horas por ano como voluntário, dedicando-se a um Movimento que busca inspirar jovens a construir um mundo melhor.
9️⃣ Senso de justiça: Robert Baden-Powell, fundador do Escotismo, passou o legado de “deixar o mundo melhor do que o encontrou” por acreditar no potencial de crianças e jovens em transformar o ambiente ao seu redor. Com coragem para enfrentar desafios e denunciar o que está errado, os escoteiros possuem grande senso de justiça e responsabilidade pessoal, ambiental, social e econômica.
1️⃣0️⃣ Versatilidade: todo escoteiro é multi-tarefas e “pau para toda obra”! Muitas situações vivenciadas no escotismo se repetirão no ambiente corporativo, como falar em público, mediar conflitos entre equipe, encontrar um fornecedor mais barato em pouco tempo, realizar lista de compras assim como a prestação de contas delas.

Portanto, se você já carrega a experiência do Movimento Escoteiro, saiba: cada habilidade aprendida na prática é um diferencial estratégico. Basta traduzi-las para o universo profissional. E, se ainda não faz parte do Movimento, não perca tempo! Essa pode ser a hora certa de se juntar a essa jornada e viver experiências transformadoras 🙂
O futuro do trabalho exige mais que conhecimento técnico — exige caráter. E o Escotismo, há mais de um século, mostra que essa é a verdadeira aventura que vale a pena participar.
Venha viver isso com a gente!
REFERÊNCIAS:
CONDECORADOS: relatos de quem recebeu a condecoração Maria Pérola Sodré
No mês de março contamos a história da mulher que inspirou essa condecoração pelo seu legado e importância no Escotismo. E agora, iremos compartilhar as de quem recebeu essa honraria!
Mas antes de mostrar os relatos incríveis dessas pessoas, queremos relembrar a estruturação do sistema de reconhecimento dos Escoteiros do Brasil, composto por três categorias principais:
- Elogios: Sempre feitos por escrito, expressam gratidão por ações ou apoios significativos, mas que ainda não justificariam a concessão de um Diploma de Mérito ou de uma condecoração.
- Diplomas de Mérito: Destinados a pessoas ou entidades que prestaram serviços relevantes ao Movimento Escoteiro, como apoio a grandes eventos, doações ou cessão de instalações. Geralmente, são concedidos àqueles que já receberam Elogios Escritos, como forma de reconhecimento e incentivo. Existem três tipos: Local, Regional e Nacional.
- Condecorações: Representam a mais alta forma de apreço e gratidão do Escotismo. São destinadas a indivíduos ou entidades que demonstraram dedicação excepcional, coragem e altruísmo em ações notáveis. Essas honrarias buscam preservar a memória de feitos extraordinários com imparcialidade e rigor.

Dentro desse sistema de reconhecimento, a Medalha Cruz de Valor Maria Pérola Sodré é uma condecoração exclusiva para membros juvenis do Movimento Escoteiro. Conforme Resolução CAN 03-2022 sobre Condecorações e Reconhecimentos:
Art. 15 – A MEDALHA CRUZ DE VALOR MARIA PÉROLA SODRÉ é concedida somente para membros beneficiários do Movimento Escoteiro e destina-se a reconhecer a relevância e destaque nos diversos campos das ciências e nos desportos, em âmbito nacional e internacional.
Seu objetivo é reconhecer ações de destaque nos campos das ciências, cultura e esportes, tanto a nível nacional quanto internacional, sendo assim, iniciativas restritas ao âmbito municipal ou estadual não se qualificam para a concessão da medalha.
Mas não se desanime, essas conquistas menores são fundamentais para construir esse caminho!
Agora que refrescou a memória sobre como funcionam esses marcos de conquistas, que tal conhecer quem trilhou esse caminho e reconhecido com a condecoração Maria Pérola Sodré?
Bianca Catherina Pignolo Fernandez
Atleta de patinação artística, pratica a modalidade desde a infância, mas foi a partir de 2019 que a dedicação se intensificou! Além de se dedicar ao Movimento Escoteiro, ela encontra tempo para praticar; inclusive, em suas férias levou seus patins em uma viagem e pediu autorização para treinar na quadra do hotel.
Bianca é uma jovem autista que é uma prova viva de que o diagnóstico não limita seus sonhos! Com persistência e determinação, na adolescência já compete com atletas mais velhas. Em fevereiro de 2024, participou do Campeonato Brasileiro de Patinação Artística 2024 na cidade de Venância Aires, no Rio Grande do Sul. Sua performance lhe rendeu a medalha de ouro na categoria Livre Paradesportivo P1 (para atletas de 14 anos em diante).
- Leia aqui a notícia sobre o Campeonato em jornal da cidade de Foz do Iguaçu
Você pode assistir à apresentação aqui!
- Aquecimento: 06:50:47
- Apresentação 07:04:45
- Premiação 09:54:22

Edézio Gabriel dos Santos Azevedo

O escoteiro em questão participou, em 2021, de duas competições nacionais na modalidade adaptada. Nos Jogos Escolares Brasileiros (JEBs), obteve resultados expressivos, conquistando o 9º lugar no salto em distância adaptado e o 4º lugar nos 80 metros rasos adaptado.
No mesmo ano, representou com excelência nas Paralimpíadas Escolares Loterias Caixa 2021, alcançando três medalhas de ouro na natação nas modalidades:
- 25 metros livres
- 25 metros costas
- 25 metros peito.
Veja aqui a reportagem da TV Allamanda SBT, que cita Edézio nas Paralimpíadas!

Kaio Bruno Rosa de Santanna

Descrito como comprometido, participativo e sempre atento aos seus deveres, foi indicado pela Corte de Honra da Tropa Escoteira em reconhecimento à sua atuação de destaque em competições científicas de âmbito nacional! Kaio conta com vários certificados que mostram sua paixão sobre Astronomia e Astronáutica!
Todo esse esforço rendeu diversas medalhas de um convite a integrar as equipes estadual e nacional da Olimpíada Brasileira de Astronomia (OBA) — um reconhecimento que mostra o quanto seu talento e dedicação vêm fazendo a diferença!

Katarine Emanuela Klitzke

Começou a ganhar destaque na comunidade acadêmica participando de olimpíadas de conhecimento. Seu desempenho chamou tanta atenção que recebeu convites para estudar em diversas escolas pelo Brasil — especialmente sendo aluna da rede pública!
Com o reconhecimento nacional crescendo, ela criou a “Ampulheta do Saber”: uma ferramenta pensada para ajudar jovens a encontrarem conteúdos e métodos de estudo, especialmente quem tem pouco acesso a uma educação de qualidade. A partir daí que ela começou a decolar: ao participar da Olimpíada Sul-Americana de Astronáutica, Katarine ganhou projeção internacional e foi convidada para estudar na Georgia Tech, uma das universidades mais respeitadas dos Estados Unidos!
Dentre sua trajetória, duas premiações são destaque:
- O prêmio recebido da NASA por um projeto em conjunto em que simulavam uma missão tripulada para Marte, com tudo o que uma viagem dessa precisa: foguetes, rotina dos tripulantes, objetivos da missão e ferramentas necessárias, e tudo isso alinhado com os planos da instituição para 2030.
- O destaque que recebeu como uma das jovens mais promissoras do país, na lista Forbes Under 30, devido ao seu desempenho em olimpíadas de conhecimento, concursos e na vida acadêmica em geral.

Por conta de seu sucesso, Katarine também é convidada a falar com empresas e com o público em geral. Inclusive palestrando para colaboradores de uma das maiores redes varejistas do Brasil, a Havan.
E, claro, não podíamos deixar de citar o carinho e orgulho com que ela menciona o Movimento Escoteiro! Katarine faz questão de ressaltar sua trajetória no Escotismo e, inclusive, costuma utilizar o vestuário em ocasiões públicas — uma atitude que reforça sua conexão e ajuda a fortalecer a visibilidade do Movimento.
Sua história foi pauta de uma reportagem na Record, você pode vê-la aqui!
Quer saber como conquistar a sua condecoração?
Depois dessas narrativas inspiradoras, temos certeza que você também ficou interessado! Confira todos os detalhes no Manual de Reconhecimento e Condecoração!
Quem sabe a próxima história a aparecer aqui não seja a sua?
18 de junho: Dia do Orgulho Autista #EscotismoParaTodos
O reconhecimento e a inclusão de pessoas autistas na sociedade são conquistas em constante construção. Algumas datas foram instituídas para fomentar a importância dessas pautas: o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril (instituído pela ONU em 2007) e o Dia do Orgulho Autista, 18 de junho, criada em 2005.
Em 2025, a campanha nacional para a conscientização do autismo traz uma mensagem clara: “Informação gera empatia, empatia gera respeito!”. Apesar do aumento de diagnósticos e da disseminação de informações sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), o desconhecimento e os preconceitos ainda persistem, tornando essencial a promoção de diálogos e ações que garantam uma sociedade mais inclusiva e acessível.
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é caracterizado por déficit na comunicação social (socialização e comunicação verbal e não verbal) e comportamento (interesse restrito e movimentos repetitivos). Por tratar-se de um espectro, pode se manifestar de muitas formas diferentes em cada indivíduo, indo do nível de suporte 1 (mais baixo) ao nível de suporte 3 (mais alto). Há pessoas com nível de comprometimento muito alto, além de comorbidades e condições associadas — por exemplo: epilepsia, distúrbios do sono e até mesmo Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) — e pessoas que levam uma vida comum e com independência, às vezes sem nunca chegar a descobrir que são autistas por não serem diagnosticadas.
A falta de conhecimento sobre o TEA reforça estereótipos e dificulta o desenvolvimento socioemocional, impactando diretamente as oportunidades dessas pessoas no meio acadêmico e profissional.
Diante desse cenário, é fundamental que a inclusão ocorra em todas as esferas sociais e se traduza em ações concretas que garantam um ambiente acolhedor às diferenças. No Escotismo, a inclusão é um valor essencial, e estamos sempre buscando melhorar nossas ações para a construção de uma sociedade melhor e mais justa para todas as pessoas.
“Nossa proposta educativa está aberta a todos os jovens, sem nenhum tipo de distinção, com visão inclusiva que atende e valoriza a diversidade.” Projeto Educativo, 2021.
Atualmente contamos com nossa Política de Diversidade e Inclusão, o Programa de Proteção Infantojuvenil e a Política Nacional de Espaços Seguros, além do Projeto Educativo.
Veja a seguir os relatos inspiradores de como o Escotismo mudou a vida de jovens autistas!
Depoimento de Gladys – Mãe do Davi – Grupo Escoteiro: 16⁰ GE “Barão de Teffé”

Sou mãe do Davi, um menino autista de 12 anos que entrou para o Movimento Escoteiro aos 6 anos e meio.
No início, ele enfrentava uma forte seletividade alimentar e não gostava de ter contato com terra, lama ou mato. Por isso, havia uma dúvida no ar: será que ele se sentiria bem e acolhido no grupo?
Para nossa alegria, desde o começo foi recebido com muito carinho no 16⁰ GE “Barão de Teffé” e conseguiu superar cada desafio.
No escotismo, Davi encontrou um espaço onde pode ser ele mesmo, desenvolver sua autonomia, aprender a trabalhar em equipe e fortalecer suas habilidades sociais.
Hoje, é um menino confiante, comunicativo e feliz!
Depoimento de Cristina Werkman – Mãe do Henry Galhardo Werkman – Grupo Escoteiro: 180º Grupo Escoteiro do Ar — Professor Verdussen – CTA – São Paulo (São José dos Campos)

Somos uma família escoteira, os ensinamentos de BP pelo método escoteiro possibilitaram o incentivo da autonomia e crescimento do Henry. […]
Ter um autista na tropa é um desafio para chefes, patrulheiros e monitores/sub monitores… Mas com a presença e suporte dos pais como voluntários presentes e ativos no grupo (como apoio em outros setores), existe maior facilidade para a adaptação do jovem na tropa (e a certeza que caso seja necessária alguma ajuda, eles estão presentes).
O desenvolvimento dentro do movimento foi importante pelos chefes que acolheram e incluíram ele nos grupos; na tropa que atualmente está, os chefes apoiam as ideias de projeto dele que sempre tem de ter os amigos juntos.
Ele também foi o ganhador do Aldo Chiorato do ano passado, de 2024 — contava copinhos que os alunos jogavam fora e fez um projeto de meses na escola para todos adotarem um copo permanente e ganhou o prêmio.
Participou do Jamboree do Centenário com o acompanhamento de uma AT (acompanhante terapêutica) para ajudar na interação e interpretar/traduzir. Foi uma “virada de chavinha” tanto para o Henry como para os amigos que foram, e voltaram muito mais unidos com muitas ideias para projetos e crescimento pessoal. Henry voltou encantado com jogo de xadrez e quebra-cabeça que ficavam disponíveis para os jovens jogarem no evento.
Acho importante pontuar que o envolvimento da família é essencial. Existem jovens autistas que têm um comprometimento maior no espectro, e nem sempre conseguem acompanhar as atividades. Pais são fundamentais como o apoio ao chefe e ao jovem… Não pai que trate de bebê, mas pai que ajude ensinando como é o filho; mas dependendo da compreensão e domínio de convívio social, o movimento escoteiro é fantástico para este desenvolvimento e vai depender de cada jovem.
Informação e empatia gera respeito, que se traduz em acessibilidade e oportunidades!
Pequenas atitudes no dia a dia fazem a diferença: respeitar a comunicação, compreender sensibilidades e evitar julgamentos são alguns deles. É assim, de pouquinho em pouquinho, que cumprimos a missão de deixar o mundo um pouco melhor do que o encontramos.
Leia aqui mais relatos relacionados ao tema no Movimento Escoteiro:
- Família conta a diferença que o Escotismo faz na vida de uma criança com autismo
- Dia Mundial da Conscientização do Autismo
- Autismo e Escotismo: um mundo de inclusão social
- Dia Mundial do Autismo é celebrado pelo Movimento Escoteiro
- Notícia de G1: Jovem autista atinge nível mais alto em escotismo nos EUA
REFERÊNCIAS:
- Informação, empatia e respeito — Um chamado para o Dia Mundial do Autismo 2025
- Não há um único fator por trás do aumento nos casos de autismo; entenda — Folha de S. Paulo
- Entendendo o DSM-5 e os critérios para diagnosticar o Transtorno do Espectro Autista (TEA), suas características e graus
- DSM-5 TR E CID-11 – DIAGNÓSTICO DE TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA
- Família conta a diferença que o Escotismo faz na vida de uma criança com autismo
- Dia Mundial da Conscientização do Autismo
- Autismo e Escotismo: um mundo de inclusão social
- Dia Mundial do Autismo é celebrado pelo Movimento Escoteiro
- Notícia de G1: Jovem autista atinge nível mais alto em escotismo nos EUA


