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Setembro Amarelo: a conscientização e prevenção ao suicídio precisa ser construída desde a infância!
Falar sobre morte, em geral, sempre foi tabu. Quando o assunto surge sempre vem seguido de: “mas tem que pensar no agora!”, “não fica pensando nisso”, “credo” e outras reações que podem ser mais ou menos passionais; a questão é que esse medo de abordar o assunto acaba fechando portas para discutirmos assuntos muito importantes relacionados à saúde mental e suicídio. Sabemos que é um assunto que não surge naturalmente, mas é preciso ir além do “está tudo bem mesmo?”. Felizmente, a Campanha Setembro Amarelo é uma oportunidade para isso!
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), todos os anos cerca de 800.000 pessoas tiram a sua própria vida — o que corresponde a um suicídio a cada 40 segundos pelo planeta. Isso sem contar as tentativas, se forem contabilizadas seriam mais 16 milhões, ou seja, a cada 1 suicídio consumado, outras 23 pessoas tentaram tirar a própria vida em algum lugar do mundo. O pior desses números é que eles são subnotificados; segundo a Veja, pesquisas recentes mostram que cerca de 30% de casos relacionados a tentativa ou consumação de suicídio não são contabilizados, podendo aumentar o número supracitado para quase 20 milhões.
A faixa etária entre 11 e 25 anos é uma das mais propensas, especialmente se estiverem enquadrados em alguma minoria étnica ou sexual. Segundo o Ministério da Saúde, “o suicídio é um fenômeno complexo, multifacetado e de múltiplas determinações, que pode afetar indivíduos de diferentes origens, classes sociais, idades, orientações sexuais e identidades de gênero”. Mas ele pode ser prevenido.
Muitos fatores podem estar relacionados ao risco de suicídio, como depressão e outras doenças psiquiátricas, mas também o peso desse jovem estar enfrentando alguma dificuldade — de problemas familiares, econômico-sociais até questões como (ciber)bullying, (ciber)stalking, sextorsão, dentre outros crimes digitais que se utilizam da vergonha da vítima para continuar tendo controle sobre ela, como ocorre nas “panelas do discord”.
Como perceber os sinais?
Não existe uma fórmula exata para identificar quando alguém está passando por uma crise suicida ou se apresenta alguma tendência nesse sentido. Porém, pessoas em sofrimento tendem a apresentar sinais de alerta, especialmente quando vários aparecem ao mesmo tempo, e esses devem ser observados por familiares e pessoas próximas. Confira alguns a seguir:
- Expressão de ideias ou de intenções suicidas – Fiquem atentos para os comentários do tipo! Pode parecer óbvio, mas muitas vezes são ignorados ou interpretados como “drama”: “Vou desaparecer”; “Vou deixar vocês em paz” “Eu queria poder dormir e nunca mais acordar”; “É inútil tentar fazer algo para mudar, eu só quero me matar”.
- O aparecimento ou agravamento de problemas de conduta, ou de manifestações verbais durante pelo menos duas semanas.
- Isolamento persistente, com afastamento de familiares, amigos e grupos sociais.
- Sentimentos de falta de esperança.
- Desinteresse, dificuldades ou prejuízos no desempenho e aprendizagem escolar.
- Ansiedade, agitação, irritabilidade ou tristeza permanentes.
- Alterações no sono e no apetite.
- Desinteresse por atividades de que gostava e desapego de pertences que valorizava.
- Baixa autoestima, com desinteresse e descuido com a aparência.
- Comentários frequentes negativos em relação ao futuro e autodepreciativos.
- Automutilação.
Como abordar o assunto?
Esse é o passo mais difícil, mas é possível deixá-lo mais leve! Ao invés de chegar diretamente no jovem abordando o tópico, que tal introduzir o assunto através de um filme? A Região de SP dos Escoteiros do Brasil fez essa matéria de como falar de Setembro Amarelo nas UELs e nela há uma lista com filmes que abordam saúde mental. Uma sessão cinema com pipoca pode ser um bom pontapé para começar essa conversa sem um clima pesado, veja aqui alguns:
- Por Lugares Incríveis (2020): Mostra os impactos do luto na juventude e como buscar apoio para seguir em frente.
- As Vantagens de Ser Invisível (2012): Aborda depressão, amizade e a importância de redes de apoio na adolescência.
- Divertida Mente (2015): Ensina de forma leve a compreender e valorizar todas as emoções.
- O Lado Bom da Vida (2012): Retrata a reconstrução da vida após uma crise e a relevância do tratamento.
- O Mínimo Para Viver (2017): Apresenta os desafios de transtornos alimentares e caminhos para superação.
- Up – Altas Aventuras (2009): Fala sobre resiliência diante do luto e a importância de recomeçar (e ainda tem um personagem escoteiro!).
- Viva – A Vida é uma Festa (2018): Ajuda a tratar morte e luto de forma sensível e acolhedora.
Depois de “quebrar o gelo” lembre-se que conduzir a conversa com empatia é o principal, não tente buscar soluções ou justificativas superficiais. A “positividade tóxica” nesses discursos pode aumentar o sofrimento ou gerar culpa em quem escuta, além de quebrar a confiança para esse tipo de diálogo. Não incentive jovens a procurarem você para conversar se não se sentir preparado para acolher.
Exemplos do que não dizer:
- “Não cometa suicídio porque a vida é linda.”
- “Aprenda a ser grato ao que você tem.”
- “Tem tantas pessoas passando por situação pior que a sua…”
- “Você está assim porque parou de ir à igreja.”
- “Isso é falta de Deus no coração.”
- “É falta do que fazer, mente vazia é oficina do diabo.”
- “Você precisa pensar positivo.”
- “Não fique assim! Você tem a vida toda pela frente!”

Se não souber como ajudar, seja transparente. Você pode dizer sinceramente: “Não sei exatamente o que fazer ou dizer para te ajudar, mas você é importante para mim. Quero estar ao seu lado e buscar, junto com você, o apoio necessário para aliviar essa dor.”
O que você pode dizer para ajudar:
- “Você não precisa passar por isso sozinho, estou aqui para te apoiar.”
- “Estou aqui para te ouvir, se quiser falar sobre o que está acontecendo.”
- “Conte comigo. Podemos encontrar juntos um profissional para te ajudar.”
- “Você é uma pessoa maravilhosa, e eu acredito no seu potencial.”
Além disso, é importante ter um ponto de apoio com a família desse jovem, para indicar que é necessário mais atenção a ele — como conversas mais próximas e ações como remover do alcance os objetos que possam causar risco, como facas, tesouras, medicamentos e afins — e também para ajudar na busca de profissionais especializados. No Movimento Escoteiro, você pode buscar o auxílio pelo Espaços Seguros; assim, de forma multidisciplinar, pode junto com a família, com o jovem e os profissionais que estão o tratando, traçar estratégias para o manejo de crises caso elas venham a acontecer.
No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento gratuito e sigiloso 24 horas por dia, pelo telefone 188 ou pelo site www.cvv.org.br . Além disso, serviços públicos de saúde mental (como o CAPES) e hospitais universitários também contam com programas de apoio para jovens e suas famílias.
Sempre Alerta! Você não está sozinho!
Bibliografia:
- A epidemia invisível: o aumento alarmante do suicídio no Brasil — Por Wagner Gattaz, publicado pela Veja em 19/09/2024. (último acesso em: 10/09/2025)
- Setembro Amarelo: ‘Não sofra sozinho’; veja onde procurar ajuda no DF — Por Daniela Ramos, publicado pelo g1 em 11/09/2023. (último acesso em: 10/09/2025)
- Setembro Amarelo: sinais de alerta para o suicídio na infância e adolescência — publicado por Pequeno Príncipe em 09/09/2022. (último acesso em: 10/09/2025)
- Setembro Amarelo: acolhimento é a melhor forma de prevenção ao suicídio — publicado por Pequeno Príncipe em 16/09/2022. (último acesso em: 10/09/2025)
- Setembro Amarelo: saiba como agir caso alguém busque apoio — publicado por Pequeno Príncipe em 23/09/2022. (último acesso em: 10/09/2025)
- Redes sociais: o dilema provocado por conexões frágeis para a juventude — Por Iza Carvalho, pelo Correio Braziliense, publicado por Estado de Minas em 27/09/2023 (último acesso em: 10/09/2025)
- Setembro Amarelo: Lidando com o tema na UEL — por Maju, publicado em Escoteiros do Brasil São Paulo em 15/09/2021 (último acesso em: 10/09/2025)
- Cartilha – Suicídio: Informando para Prevenir — por Campanha Setembro Amarelo® (último acesso em: 10/09/2025)


