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O corpo como ferramenta: aprender a medir sem régua, trena ou calculadora.
Muito antes de existirem satélites, aplicativos e relógios digitais, pessoas viajavam pelos oceanos, cruzavam desertos e exploravam florestas usando o que tinham à disposição: olhos, mãos, passos e percepção.
Todo esse conhecimento é parte da inteligência espacial: capacidade cognitiva de visualizar, compreender e manipular formas e espaços em três dimensões, tanto física quanto mentalmente. É o que nos permite memorizar lugares, interpretar mapas e antecipar movimentos, essencial para estarmos sempre alertas!
Veja a seguir algumas das técnicas que usamos para conseguir usar seu corpo como ferramenta de medida.
Primeiramente, você precisa saber suas medidas pessoais de palmo, altura, envergadura, pé e passo.
Jovens em fase de crescimento devem renovar suas medidas semestralmente, mas ao chegar à idade adulta, elas ficam mais estáveis.
Passo:
- Escolha uma distância conhecida (por exemplo, 20 metros)
- Percorra contando os passos e divida a distância pelo total contado.
Ou seja, se 20 metros foram percorridos em 25 passos, cada passo mede, em média, 0,8 metro; ou seja, 80 cm.
É importante que os passos sejam dados da maneira mais natural possível, para que não gere alteração para medidas do dia a dia.
Palmo:
- Abra a mão e considere a distância entre a ponta do polegar até a ponta do dedo mínimo.
- Com uma régua ou fita métrica, meça esse comprimento em centímetros.
- Para usar em campo, descubra quantos “palmos” correspondem a 1 metro.
Por exemplo: se seu palmo mede 20 cm, cinco palmos equivalem a aproximadamente 1 metro.
Pé:
- Coloque o pé no chão, encostado em uma parede, e marque a ponta do dedo mais longo.
- Meça a distância até o calcanhar.
- Depois, verifique quantos “pés” formam 1 metro.
Se seu pé mede 25 cm, quatro pés correspondem a aproximadamente 1 metro.
Braçada (Envergadura):
- Fique em pé com os braços totalmente abertos na horizontal.
- Meça a distância entre a ponta de um dedo médio até o outro.
Em muitas pessoas, essa medida é próxima da altura 😉
Após registrada, ela serve para estimar comprimentos maiores, como cordas, vãos entre estacas ou largura de áreas.
Avaliação de altura
Método de Unidade:

Popularmente usado para descobrir a altura de árvores, você pode fazer junto de alguém que sabe a altura para ficar encostado na árvore ou fazer uma marca de sua própria altura no tronco.
- Ande para trás até pegar certa distância, mantenha o braço estendido à frente e segure um graveto ou um lápis verticalmente.
- Com um olho fechado, meça a altura marcada (por você mesmo ou pelo seu amigo) olhando o topo do graveto até a unha do seu polegar.
- Depois, mova o graveto para cima para ver quantas vezes essa medida cabe na altura da árvore.
- Multiplique essa medida pelo número de repetições observadas e isso te dará a altura da árvore!
Método do Lenhador:

Também chamado de método do graveto, é um dos mais usados em campo!
- Segure um graveto na posição vertical com a mão e estique seu braço.
- Afaste-se da árvore (ou objeto) que quer medir.
- Aponte para a ponta da árvore de forma que o topo do graveto cubra a ponta dela; alinhando a base do graveto com a base da árvore e a ponta com o topo.
- Então, gire o graveto a 90 graus para a posição horizontal.
- Identifique o ponto onde o topo do graveto toca o chão.
- Caminhe até esse ponto e meça a distância entre ele e a base da árvore pelos passos, isso dará a altura que você está buscando!
Avaliação de distância

Método de Napoleão:
- Permaneça em uma margem.
- Incline sua cabeça e seu queixo contra o tórax.
- Segure sua mão, voltada para baixo, contra sua testa.
- Então, mova sua mão para baixo até perceber que “toca” a margem oposta.
- Faça um giro de 90 graus (um quarto de volta) “transferindo” a distância para a margem em que você está.
- A distância do ponto que a extremidade de sua mão parece tocar é a largura do rio.
- Meça a distância com passos!
Essa técnica é chamada assim porque Napoleão usava a borda de seu chapéu ao invés da mão. Assim, você também pode fazer como ele usando um chapéu ou um boné escoteiro de aba larga!
Ao combinar essas medidas e conhecimentos, o corpo passa a funcionar como um conjunto de ferramentas: de régua à trena!
Claro que na teoria parece tudo muito fácil, mas o melhor jeito de aprender essas técnicas é com a prática. Que tal planejar acampamentos e trilhas com seus amigos para colocar esses conhecimentos para jogo?
BIBLIOGRAFIA:
- Acampar e Explorar —por Elvio Pero, tradução por Marcelo Lisboa. Primeira edição em 1992. ISBN: 956-12-0756-7
- Caderno da Jornada Escoteira — por Caryl Chessman de Jesus Trevisan, Paulo Silva Nhentz e Renata Helena Manzke. Primeira edição em 2005. Equipe Regional de Formação de São Paulo com direitos cedidos aos Escoteiros do Brasil


