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Insígnia inovadores de impacto: conheça a 1ª jovem a conquistá-la!
Você já imaginou ser a primeira pessoa do país a ganhar uma insígnia? Bem, a Victória Linda, do Ceará, sabe bem a sensação!
Ela foi a 1ª pessoa a conquistar a insígnia Inovadores de Impacto; criada através de uma parceria entre os Escoteiros do Brasil, a WOSM e a Accenture para inspirar jovens a transformar suas comunidades por meio de projetos reais utilizando o Design Thinking.

A jovem de 16 anos fez seu projeto sobre dignidade e higiene menstrual, e nos concedeu uma entrevista exclusiva sobre essa jornada! Seu pai, o voluntário Marcos Clayton também participou desse bate-papo.
Segundo Victória, o tema surgiu da percepção de que antes as pessoas não tinham liberdade para falar sobre menstruação, pois havia (e ainda há!) um receio em tratar de algo totalmente normal para todas as mulheres. Ela conta que muitas meninas da sua idade ainda sentem vergonha de conversar com os pais ou até de comprar um absorvente; e também cita o fato de muitas pessoas sequer terem condições de comprar absorventes, o que é caracterizado como “pobreza menstrual”.
Ao pesquisar sobre o assunto, descobriu formas de conseguir o produto gratuitamente. Seu objetivo era de abrir a mente das pessoas ao redor de sua comunidade e também de instruir mulheres e meninas em vulnerabilidade a conseguir absorventes de forma gratuita, para melhorar sua qualidade de vida.
Mas esse tema não foi a 1ª opção! Quando perguntamos sobre como surgiu essa ideia, ela e o pai responderam que veio após muito trabalho dentro da metodologia.
Marcos diz que desde lobinha, ela sempre trabalhou com vida marinha e o ODS 14: “Vida na Água”, que visa a conservação e o uso sustentável dos oceanos, mares e seus recursos marinhos. Quando surgiu esse desafio do Inovadores de Impacto, as exigências da financiadora (uma outra ONG) eram de que não podia usar o ODS 14 e tinha que usar o design Thinking.
Victória disse que essa exigência foi um dos seus maiores desafios! Saindo de sua zona de conforto e de sua área de especialidade, de início a jovem conta que ficou sem saber por onde seguir e bastante assustada pela incerteza. Ela conta que seu interesse pelo meio ambiente já vem de muito tempo e que seu primeiro projeto nessa área foi o “Adote seu Copo”, incentivando pessoas a levarem seus próprios copos de casa para evitar o uso dos descartáveis; mas não nega que a trajetória do pai, também do Movimento Escoteiro, a inspira muito nesse tema!
Mas foi justamente isso que ajudou a afunilar os temas; com a exigência de trabalhar com 4 ODS específicos e durante sua pesquisa, Victória encontrou caminhos relacionados ao autocuidado e à saúde, até chegar ao tema da higiene menstrual, que abrange tudo isso!

“E aí eu pensei sempre que falam muito sobre higiene no geral, mas não falam sobre menstruação. Então pensei: por que não menstruação? Porque até hoje as pessoas têm um pouco de receio, como aconteceu no meu próprio grupo. Então vamos falar sobre menstruação para as pessoas terem uma mente mais aberta. Os chefes homens que têm, as escoteiras, as guias, terem uma mente mais aberta, porque, assim, normalmente sempre é ‘ah, frescura’ ou quando a mulher precisa faltar no trabalho ou na escola sempre falam: ‘ah, é frescura, é besteira, é só uma dorzinha, é algo básico’. Não, não é. Não é frescura não. Vou mostrar para você que não é frescura.”
Marcos também complementa que quando Victória começou a desenvolver o material, ela realizou pesquisas e questionários para compreender melhor a realidade e identificou que muitas pessoas ainda enfrentam grande dificuldade para conseguir absorventes. Foi através disso que ela resolveu criar um cartaz explicando como obter absorventes gratuitamente, já que quase ninguém tem essa informação e muitas pessoas ainda passam o dia com um único absorvente, pois só conseguem adquirir uma caixinha por mês. Com todo esse contexto, saber e divulgar que o governo fornece gratuitamente representa uma mudança significativa na qualidade de vida dessas meninas e mulheres!
Mas o maior desafio de todos ainda foi o tabu!
Mesmo com os avanços sociais que tivemos até agora, 2025, a jovem conta que sentiu muita dificuldade em abordar o assunto.
“No dia do desfile do sete de setembro, eu ia aplicar essa atividade falando com as pessoas no final do desfile […] E aí eu ia aplicar essa atividade dando uns kits de higiene, falando sobre higiene no geral, com foco em menstruação. Lógico, ia falar com as pessoas. Só que aí o financiamento não chegou. Mas então eu pensei: ‘vou aplicar com as sessões do meu grupo’.
Aí eu fui falar com a chefe da alcateia e com a chefe da Tropa Escoteira. A chefe da Tropa Escoteira, ela ainda ficou com um pouco de receio, porque atualmente só tem uma menina na tropa escoteira; então ela achou que não seria um conteúdo muito legal… Mas ela também me ajudou no meu projeto: ela criticou algumas coisas que me ajudaram a me aprofundar mais no tema.
E eu também falei com o chefe da alcateia que ela não gostou mesmo. Ela falou que é um assunto muito forte assim para as crianças da idade dos lobinhos. Ela não gostou, achou muito forte… E eu… Bom, tudo bem, eu só aceitei.”
Marcos explicou que, nesse caso da Alcateia, Victória fez uma abordagem que utilizava os itens de progressão dos lobinhos para desenvolver o tema, já que, para conquistar o Cruzeiro do Sul, era necessário abordar certos pontos relacionados. No entanto, mesmo com esforços, foi preciso buscar outro público, em escolas e outros espaços, para aplicar o projeto. Dentro do próprio grupo, houve dificuldade, pois a chefe da Alcateia, mesmo sendo mulher, ainda considerava o tema um tabu e não concordava em tratá-lo com as crianças.
Felizmente, nesses outros espaços, a jovem conta que a aprovação foi melhor!
“Na escola teve uma aceitação bem melhor do que no Grupo Escoteiro, ou pelo menos com a minha chefe, teve uma aceitação bem melhor. Na minha escola tem um podcast e eles fizeram um podcast sobre menstruação e foi muito bom! Esse podcast não foi eu que fui entrevistada, mas eu assisti o episódio. Foi muito bom de verdade.
Ninguém fez piada, piada de mal gosto assim e principalmente na sala de aula, na aula de ciências, quando o professor vai falar sobre esse assunto, às vezes os meninos ficavam ‘Ai que nojo, eu não sei o quê’; atualmente não tem isso, pelo menos na minha sala… Na minha escola não tem mais isso. Isso é realmente muito bom, porque eles abriram a mente e viram que é algo totalmente normal da mulher. Toda mulher tem.”
Perguntamos qual foi a melhor parte de desenvolver seu projeto e o que mais marcou esse processo, e ela respondeu que foi ter participado de um podcast com uma voluntária escotista que fez um curso capacitante sobre o Inovadores de Impacto; e, apesar da experiência não ter sido como o planejado, foi melhor do que ela esperava!

“Acredito que foi ontem que participei de um podcast e em que eu também fui entrevistada! A conversa foi com uma chefe de Santa Quitéria, no interior do Ceará, que havia feito um treinamento em Curitiba sobre a insígnia Inovadores do Impacto. Depois que ela voltou, decidimos gravar juntas… Ah, na verdade, a ideia era de nós darmos uma palestra para os Ramos Sênior e Pioneiro, mas aí não foi ninguém, porque a gente não lançou no Paxtu! […] mas isso não nos desanimou.
A gente sentou lá, uma na frente da outra, fez o podcast e eu perguntei sobre o que é a insígnia, né? Para ela também falar. Aí trocamos perguntas e acredito que foi algo bem mais íntimo, que me deixou mais leve, e eu consegui me expressar melhor. Então foi muito legal!
Outro momento especial também foi quando meu pai mandou a mensagem dos Escoteiros do Brasil falando que a primeira insígnia foi conquistada e eu fiquei ‘Meu Deus, essa pessoa sou eu!’ Eu fiquei muito feliz, tipo, eu me esforcei bastante, então acredito que assim o mérito realmente seja meu! E eu tive esse reconhecimento que eu queria!”
Ela contou que se sentiu muito mais leve, embora estivesse bastante tensa no início, por ter certa dificuldade em falar em público, mas confessa que ficou chateada quando ninguém apareceu. Porém, a ideia de transformar o momento em um podcast trouxe alívio e transformou a experiência em algo bem mais leve: conta que ambas conseguiram se soltar, e ela percebeu que conseguiu se expressar melhor, falando com mais clareza sobre o projeto. Ela acredita que se tivesse sido com público, teria falado menos ou até esquecido alguns pontos importantes. E, além de tudo, nos contou entre risadas que os erros de gravação tornaram tudo mais divertido!
“Bom, eu falaria para os jovens de hoje que comecem a se interessar mais pelas coisas, porque, sinceramente, vejo que muitos não têm e foi o que aconteceu aqui […] Gente, é uma coisa tão legal! No começo, quando a gente pega o material, pensa: ‘Ai, meu Deus, é muita página, é muita coisa, vou cansar, não quero fazer’. Mas, quando você senta e começa a estudar, vê que não é algo surreal, entendeu? Não é um bicho de sete cabeças!
Então, tipo, quando você vai lendo, você vai se interessando pelo assunto e logo você começa a criar o próprio projeto. E você não precisa fazer isso sozinho. Você pode ter ajuda dos seus pais, dos seus chefes ou até dos seus amigos, porque com mais gente é tudo mais legal!
Então eu falaria pra eles correrem atrás desse sonho, para fazer uma mudança, não só no Brasil, mas no mundo. Quando você se dedica, o reconhecimento vem, como aconteceu comigo. Então você vai ter se esforçado, você vai ter ajudado novas pessoas, vai ter feito as pessoas entenderem mais sobre o assunto que você escolheu… Você muda a mente das pessoas, consegue ajudar os outros e ainda tem o seu reconhecimento. Além disso, o aprendizado fica com você! Então assim, se você for ver algo relacionado sobre esse tema na escola ou em outro lugar, você já vai saber!”
Complementando sua própria fala, Victória conta que através do Movimento Escoteiro ainda consegue aproveitar plenamente a juventude e que já conseguiu viajar pelo Brasil acampando em eventos como Camporees e outros! Disse que, além de viver tudo isso, sente que contribui para um mundo melhor e se sente bem consigo mesma; afinal, para a jovem, fazer a própria parte é o que traz tranquilidade e consciência limpa em saber que está construindo um mundo melhor.
Ressaltou a importância de cuidar da Terra, especialmente diante da situação atual e dos impactos visíveis (como o que acontece na Amazônia) e que cada pequena atitude importa. Seu desejo é inspirar outras pessoas a entenderem que cada pequeno passo importa, e que a transformação socioambiental é construída diariamente por nossas atitudes: “Se cada uma das oito bilhões de pessoas fizer a sua parte, o mundo já vai melhorar muito! Mesmo que você pense ‘ah, sou só uma pessoa’, saiba que sim, a sua atitude ajuda!”

Ela também compartilhou que, além de ter sido a primeira a ganhar essa Insígnia, também irá participar da COP 30 por meio de outra ONG!
“Se não fosse o Movimento Escoteiro, eu não teria descoberto essa ONG! Então, sim, eu vou levar o meu lenço Escoteiro para a COP 30, porque se não fosse o Movimento Escoteiro eu não seria nada. Se eu não fosse escoteira, eu não seria a Victória.
Então eu agradeço muito aos Escoteiros do Brasil, agradeço a Baden-Powell, porque eles formaram a minha personalidade, o meu jeito.
E assim como o meu pai falou, ele entrou no Movimento Escoteiro pequenininho e conquistou tudo… Então assim para mim, ele é minha maior inspiração, ele é meu tudo! Nossa, eu amo meu pai de verdade.”
No fim das contas, o que mais impressiona na história de Victória não é apenas a conquista da insígnia, mas o caminho até ela. Assim como o próprio Escotismo, toda essa trajetória (do projeto e da vida!) mostra evolução e movimento, mas sem perder a ternura e a troca entre gerações.
A dedicação e a vontade de aprender abriram caminhos que estão a levando para o maior evento de sustentabilidade do mundo, a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP 30! Lá, ela vai representar todos os irmãos e irmãs de lenço do país e mostrar que a juventude possui um papel de liderança na inovação e construção de um futuro melhor.
O Inovadores de Impacto nasceu para multiplicar histórias como essa!
Quem sabe a próxima não é a sua?


