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A evolução do escotismo: Como o movimento se adapta às mudanças da sociedade sem perder sua essência 

A evolução do escotismo: Como o movimento se adapta às mudanças da sociedade sem perder sua essência 

Você já se perguntou como um Movimento criado em 1907 por um militar inglês conseguiu se tornar (e se manter) tão popular por tanto tempo? Bom, com certeza você sabe que temos pensamentos e costumes muito diferentes dos que os daquela época, especialmente dos ingleses daquela época! 

Pois é, e é justamente aí que está a genialidade do Escotismo!  Desde a fundação do Movimento Escoteiro, Baden-Powell deixou claro que sua proposta é viva, flexível e baseada em princípios e valores universais: caráter, saúde (física e mental), habilidades manuais, serviço ao próximo e espiritualidade. Não por acaso conseguiu perpassar duas guerras mundiais, transformações de nações e mudanças sociais de extremo impacto e, mesmo assim, continuou encantando jovens do mundo inteiro.

O grande sucesso de expansão do escotismo mundo afora se deve principalmente à liberdade de adaptação; cada país pode adaptá-lo de acordo com sua cultura e realidade social, preservando os princípios e o Método Educativo Escoteiro, elementos que conferem sua unidade. E, da mesma forma, o Escotismo também acompanha as mudanças sociais de onde está inserido, de modo que mantenha sua relevância.

Um grande exemplo disso é a aceitação de mulheres e meninas no Movimento, em aproximadamente 1915, com a transformação causada pela luta feminista para garantir o direito das mulheres (especialmente no voto) na Europa e nos EUA. Uma dessas protagonistas foi Vera Barclay, que assumiu nesse mesmo ano a liderança dos primeiros lobinhos; apesar dessa conquista, o papel feminino no Escotismo era apenas para adultas na função de chefiar as alcateias. 

Aqui no Brasil, em 1914 — pouco após a criação da Associação Brasileira de Escoteiros — foram criadas as Brigadas de Escoteiras, suas afiliadas que tinham o objetivo de “fornecer à Pátria boas cidadãs, boas donas de casa e boas mães de família”, uma história que se entrelaça com o Movimento Bandeirante, mas essa história é muito longa para essa matéria, então fica para a próxima! 😅

Voltando aos escoteiros: inclusive, o ramo Pioneiro fez jus ao seu nome e foi o primeiro a aceitar garotas como jovens no Movimento Escoteiro nacional! Desde 1963, o Clã Pioneiro do GE Georg Black 1/RS já realizava atividades mistas e em 1968 tornou-se o 1º Clã Misto do Brasil. Entre os anos de 1979 a 1985 o processo de co-educação foi implantado nacionalmente, aceitando gradativamente as meninas em todos os ramos. Grupos mistos só se tornaram realidade na década de 80, depois de mais de 70 anos da fundação do Escotismo!

Foto por Comunicação – 40º Distrito Escoteiro/SP

E com pessoas LGBTQIAP+ a inclusão é ainda mais recente: a Boy Scouts of America (BSA) — entidade que representa o Movimento Escoteiro nos Estados Unidos — liberou a participação de adolescentes homossexuais somente em 2013; em 2015, a de adultos voluntários; e em 2017, a de pessoas trans. Nacionalmente, os Escoteiros do Brasil lançaram publicamente seu Posicionamento oficial sobre homoafetividade em 2015, reforçando seu papel como movimento educacional e inclusivo, aberto a todos, mas ainda com muito trabalho a ser desenvolvido para a sua plena inclusão no Escotismo. Afinal, segundo pesquisa, ainda há um preconceito velado dentro de muitos grupos, além da falta de representatividade de pessoas transsexuais, mesmo que muitos jovens sintam-se seguros de se expressar dentro do Movimento Escoteiro; por isso políticas como a dos Espaços Seguros são tão importantes!

E o mundo segue mudando! Nos últimos anos a instituição já havia percebido a necessidade de atualizar o Programa Educativo e inclusive já estava trabalhando nisso! Nesse período, os Escoteiros do Brasil se debruçaram em pesquisas e análise de resultados, assim como nas sondagens com as Regiões Escoteiras e Consultoria com a WOSM. Ou seja, a pandemia não criou a necessidade de mudança, apenas a tornou impossível de ignorar. O que já estava em curso ficou claro: renovar não era mais uma opção, e sim uma urgência. Especialmente com o foco em manter o equilíbrio com a tecnologia, mas sem abrir mão da vida ao ar livre e contato com a natureza.

Vale lembrar que, mesmo com a atualização do programa, o Método Educativo Escoteiro permanece o mesmo — fiel à visão de Baden-Powell, que nos inspira até hoje a educar por meio da vida ao ar livre, do protagonismo juvenil e da construção de valores sólidos. Os Fundamentos do Escotismo seguem sendo base estruturante de toda e qualquer ação, atividade, projeto ou iniciativa dos Escoteiros do Brasil.

As maiores mudanças dentre o Programa antigo e o atualizado são:

  • Progressão Pessoal:  A progressão deixa de ser apresentada a partir das tradicionais áreas de desenvolvimento (físico, afetivo, espiritual, intelectual, caráter e social) e passa a ser organizada em quatro eixos de desenvolvimento (habilidades para a vida, saúde e bem-estar, paz e desenvolvimento, e meio ambiente), que refletem demandas da sociedade e do mundo e claro, sem deixar de apresentar as técnicas escoteiras como algo essencial. Uma das principais mudanças é a integração das especialidades ao sistema de progressão pessoal. Agora elas se conectam aos quatro eixos de desenvolvimento e permitem que cada pessoa personalize sua trajetória no programa, escolhendo entre atividades sugeridas ou aprofundamento em temas de interesse. As especialidades ganham um novo papel de incentivar o aprendizado por curiosidade e reconhecer habilidades desenvolvidas dentro (ou fora) do Movimento.
  • Especialidades: são mais um componente do Sistema de Progressão Pessoal, como parte das ações educativas para a obtenção de competências, privilegiando a prática, em três momentos (Conhecer – Fazer – Compartilhar). As especialidades possuem propósitos diferentes, por este motivo a proposta é diferente entre os Ramos Lobinho e Escoteiro (que ficará como atualmente conhecemos, com nível I e II) e os Ramos Sênior e Pioneiro (serão de um único nível e terá uma estrutura diferente baseada na vocação e no Projeto de Vida). A quantidade de especialidades está sendo avaliada e será diferente entre os Ramos Lobinho e Escoteiro do Sênior e Pioneiro. 
  • Caminho (Transição entre Ramo): é basicamente o período de transição entre um ramo e outro, podendo durar até 4 meses e é acompanhado por um distintivo do Caminho, diferente para cada Ramo. Durante esse tempo, o jovem tem a oportunidade de se ambientar, entender melhor como funciona o novo Ramo e se preparar para os próximos desafios. Ao concluir o Caminho, renova sua Promessa no novo ramo e dá início ao sistema de progressão pessoal. 
  • Reconhecimento de Ramo: Os distintivos especiais foram ressignificados e agora são os reconhecimentos de ramo, mas não deixaram de ser menos desafiadores! Ao invés de cumprir os requisitos de X especialidades obrigatórias, agora a proposta foca que jovem percorra sua progressão de forma completa, sem perder experiências essenciais que fazem parte da identidade escoteira (como acampar, ter contato com a natureza, participar das instâncias de decisão, como a corte de honra ou a assembleia de tropa), mas também que ele seja reconhecido pela vivência dos valores escoteiros. Assim, o destaque deixa de estar na conquista de várias especialidades e passa a estar no crescimento pessoal.
  • Ramo Filhotes: surge o Ramo Filhotes, de caráter familiar, voltado a crianças de 5 e 6 anos. Com a presença obrigatória de um adulto responsável, o ramo propõe descobrir o mundo por meio de brincadeiras e experiências, sob o lema “Viver Juntos”.
  • Modalidades do ar e mar no Ramo Lobinho e Pioneiro: o novo programa passa a incluir as modalidades do Ar e do Mar nos Ramos Lobinho e Pioneiro, com atividades específicas para cada idade.
  • E, é claro, a identidade visual! Agora cada um dos ramos está com uma cara nova, mais coerente com o marco simbólico de cada um, integrando seus elementos, se adequando às características da atualidade e ao contexto da sociedade.

O resultado? Um Programa mais intuitivo e Manuais que realmente facilitam o dia a dia do voluntário e que priorizam que escoteiros façam coisas de escoteiros!

Os manuais estarão disponíveis gratuitamente para acesso do e-commerce da Loja Escoteira!

Em caso de dúvidas ou sugestões, entre em contato pelo e-mail [email protected] 

Caso identifique alguma informação que possa ser ajustada, envie sua contribuição pelo formulário: https://forms.gle/gxUGKXn4R9q1TRdHA 

Contamos com você para continuarmos evoluindo! 


BIBLIOGRAFIA:

Ticket to Life: o futuro começa aqui

O Ticket to Life é uma iniciativa global da Organização Mundial do Movimento Escoteiro (WOSM), com apoio da Região Interamericana, que visa promover a inclusão social e a transformação de realidades por meio do Escotismo. O programa já mudou a vida de diversos jovens em situação de vulnerabilidade (que se encontram em situação de rua, em abrigos, refugiadas ou impactadas por desastres), especialmente em países da África e Ásia-Pacífico. E, finalmente, chegou aqui no Brasil!

Desde junho de 2025, ao longo de 11 meses, o projeto estará atuando em comunidades com desafios sociais relevantes e pouco acesso a oportunidades educativas, localizadas nos estados de Sergipe, Maranhão e Pará. A escolha dos estados considerou a necessidade de apoio ao Crescimento e Expansão, com foco na consolidação de novas Unidades Escoteiras e no atendimento a comunidades em situação de maior vulnerabilidade social. Crianças e jovens e diversas faixas etárias vivenciam atividades projetadas para promover seu desenvolvimento, desde as primeiras descobertas da infância até o protagonismo na juventude.

Foto por Natália Cavalcanti

Quais são os objetivos do projeto?

  • Engajar 300 crianças e jovens e manter pelo menos 150 deles ao final do ciclo inicial. 
  • Formar e registrar ao menos 30 adultos voluntários para apoiar a implementação local do projeto. 
  • Estabelecer pelo menos 3 parcerias
  • Promover ações comunitárias, encontros e acampamentos educativos. 
  • Consolidar a atuação institucional da UEB em áreas vulneráveis, impulsionando a implantação e o fortalecimento de Unidades Escoteiras Locais.

A proposta reforça o papel dos Escoteiros do Brasil de trazer oportunidades, projeção de futuro e transformação! Até abril de 2026, caminharemos lado a lado no projeto para mudar a histórias de vida dos envolvidos.

Nas próximas semanas iremos lançar uma página exclusiva ao projeto no nosso site, para que você possa acompanhar cada etapa do andamento, conhecer as comunidades envolvidas e conferir os resultados alcançados.

Escoteiros do DF nos Jogos da Juventude CAIXA Brasília 2025

Os Escoteiros do Distrito Federal participaram da abertura nos Jogos da Juventude CAIXA — a maior competição multiesportiva do país voltada à atletas de até 17 anos — conduzindo as quatro bandeiras nobres do evento: a dos Jogos da Juventude, do Comitê Olímpico do Brasil (COB), do Distrito Federal e a do Brasil. E seguimos presentes durante toda a programação dos Jogos com nossos jovens atuando na cerimônia de entrega das medalhas!

Campeão olímpico nos Jogos Rio-2016, o jogador de vôlei Bruninho acendeu a pira dos Jogos da Juventude CAIXA Brasília 2025 na noite da última quarta-feira (10/09). O cenário de fundo foi a Catedral Metropolitana da capital federal, coroando uma abertura emocionante realizada no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), diante de autoridades e delegações esportivas de todo o território nacional. 

Organizado pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), com apoio da Secretaria de Esportes e Lazer do GDF, esta edição promete ser histórica: são 4.700 atletas de 20 modalidades diferentes, celebrando o talento, o esforço, a juventude e o espírito esportivo que transformam o futuro do nosso país. 

Veja a notícia completa no site dos Escoteiros do Brasil (Região do Distrito Federal). 

Como a natureza fortalece a saúde mental dos jovens

Entre estudos, compromissos e a rotina acelerada, muitos jovens acabam passando a maior parte do tempo em frente a telas ou dentro de salas de aula e outros ambientes fechados. O que parece normal no dia a dia, no entanto, pode cobrar um preço alto: estresse, ansiedade, depressão, insônia e até desenvolvimento de outros transtornos psiquiátricos.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em todo mundo, 14% das crianças e adolescentes, entre 10 e 19 anos, têm algum tipo de transtorno mental. Já no Brasil, um levantamento da Fundação José Luiz Egydio Setúbal estima que cerca de oito milhões de menores enfrentam este cenário, aproximadamente um entre 5 jovens. Mas sabia que além do tratamento médico, há uma solução mais simples (e gratuita) para lidar com essas questões? Diversos estudos comprovam a eficácia de atividades ao ar livre melhoram a saúde!

Uma pesquisa publicada no JAMA Network Open mostrou uma melhora no bem-estar de estudantes após escolas acrescentarem tarefas na natureza à grade curricular (mais um motivo para investir no Escotismo nas Escolas, hein!). Além disso, um estudo revisado por pares da Universidade de Utah publicado na revista Ecopsicologia, concluiu que passar ao menos 10 minutos em contato com a natureza ajuda a aliviar sintomas de ansiedade, estresse e depressão e tiveram efeitos positivos ainda maiores em participantes diagnosticados com transtornos do humor. E, falando mais especificamente sobre Escotismo, uma pesquisa da Universidade de Edimburgo concluiu que pessoas que foram escoteiros quando jovens tiveram menos risco de ter problemas mentais quando estavam com 50 anos de idade! 

Foto por Fernando Ariotti

Dentre os benefícios de estar em contato com a natureza estão:

  • Redução do estresse e ansiedade.
  • Melhora do humor.
  • Aumento da criatividade.
  • Melhora da concentração, memória e capacidade de resolver problemas.
  • Redução da pressão arterial e melhora dos batimentos cardíacos.
  • Melhora da qualidade do sono. 
  • Fortalecimento do sistema imunológico.

E isso vale para todos! Mas quando falamos da saúde mental dos jovens, que estão em construção de si mesmos, precisamos olhar com carinho para o processo de desenvolvimento. Isso significa ajudar a construir autoestima, desenvolver habilidades para lidar com emoções e relações, ao mesmo tempo em que se está aberto e curioso para aprender com o mundo. E que forma melhor de aprender do que explorando? No Programa Educativo, é isso que acontece.  Através das atividades que os jovens encontram espaço para se desafiar, fortalecer vínculos e descobrir mais sobre si mesmos. E esse contato com a natureza e com o grupo cria experiências que não só estimulam o aprendizado, mas que também trazem todos os benefícios que já foram citados! 

Mas como conseguir aplicar isso na rotina?

Na correria do dia a dia nem sempre há tempo para uma caminhada no parque, mas você pode tentar trazer um pouquinho da natureza para mais perto de você com essas dicas!

  • Jardinagem: pode ser uma plantinha ou uma mini-horta, isso já cria conexão diária com a mãe natureza. Ah, e não fique triste se as primeiras não vingarem! O importante é continuar tendo esse contato com a terra!
  • Sempre que possível opte por caminhar ou pedalar por ruas arborizadas, ou parques, no seu trajeto diário.
  • Faça pausas durante seu dia: pode ser na hora do almoço ou durante um cafezinho da tarde, aproveite esse momento para ir a um ambiente externo. Pode ser numa varanda, terraço… O importante é sentir o sol na pele por alguns minutos.
  • Observar a vida ao redor: durante suas pausas, evite ficar com telas. Aproveite esse momento para apreciar o céu, suas cores e nuvens, os pássaros voando, as formigas trabalhando… O extraordinário está no simples e são esses momentos que nos dão um “respiro” essencial para nossa saúde física e mental. 
  • Decorações naturais: trazer um pouquinho do lado de fora para sua casa ou trabalho é mais fácil do que parece! Invista em plantas de fácil cuidado — suculentas, samambaias e jiboias purificam o ar e deixam o espaço mais vivo — e fontes pequenas para trazer sensação de tranquilidade. Você também pode usar óleos essenciais, incensos ou velas com fragrâncias de plantas e flores para deixar o ambiente mais aconchegante

BIBLIOGRAFIA: 

Novidades no lançamento dos materiais do Programa Educativo Atualizado

O escotismo brasileiro segue avançando na atualização do Programa Educativo e, garantindo que cada manual, guia e publicação seja disponibilizado aos associados com a qualidade que caracteriza os Escoteiros do Brasil. O Conselho de Administração Nacional aprovou a Resolução CAN 09/2025, que atualiza os prazos de lançamento de forma organizada e escalonada:

Com a chegada desses materiais, todas as novas Unidades Escoteiras Locais já iniciarão suas atividades aplicando o Programa Educativo Atualizado — um passo importante para fortalecer a unidade e a vivência escoteira em todo o Brasil.

Nosso compromisso é marcado pelo cuidado e pelo zelo em cada detalhe, para que a experiência escoteira de nossas crianças, adolescentes e jovens se torne ainda mais significativa.

Sempre Alerta! ⚜️

Nota de Retratação – Atribuição de Crédito de Imagem P.O.R.

A União dos Escoteiros do Brasil (UEB) vem a público informar que a fotografia publicada no documento Princípios, Organização e Regras (P.O.R.), em 16 de maio de 2025, página 51, é de autoria do Sr. Eduardo de Souza.

Embora a referida fotografia já tenha sido substituída, em 19 de maio de 2025, reiteramos nosso respeito e reconhecimento. 

Adultização e proteção infantojuvenil: a atuação dos Escoteiros do Brasil no cuidado com os jovens

Com a preocupação crescente em torno do bem-estar infantojuvenil, os Escoteiros do Brasil atuam com firmeza para proteger seus jovens, oferecendo um ambiente seguro para que possam atingir seu pleno desenvolvimento e uma rede de apoio para as famílias. Veja a seguir como:

  • Atividades planejadas para respeitar a idade de cada jovem e seu nível de desenvolvimento, sem antecipar responsabilidades ou comportamentos adultos.
  • Valorização da infância e adolescência com brincadeiras, desafios e aprendizados adequados, em um ambiente que estimula o respeito a si mesmo e aos demais, garantindo a manifestação de suas individualidades e prevenindo práticas potencialmente perigosas à saúde física e mental.
  • Regras claras de conduta e canais seguros para denúncias, intervenção e acompanhamento de qualquer situação de risco. 
  • Formação contínua dos adultos voluntários sobre proteção infantojuvenil; Nossos voluntários são na maioria dos casos, os pais e mães dos membros juvenis e recebem treinamentos não apenas para identificar situações de risco, mas também para serem proativos na prevenção de qualquer ocorrência que comprometa a integridade de nossos jovens.

Leia na íntegra o documento Proteção em Primeiro Lugar: Como os Escoteiros do Brasil Cuidam dos Jovens

Premiação Seed Of Hope: Jovem Alice Feijó

Já pensou embarcar para a Coreia do Sul só pra viver a aventura do Jamboree Mundial 2023 — e, despretensiosamente, compartilhar uma ideia que te faria voltar em 2025 como destaque em um projeto global?

Foi o que aconteceu com Alice Queiroga Feijó. A jovem de 17 anos é Guia no Grupo Escoteiro Audazes/RJ participou do Jamboree Mundial Coreia em 2023 e lá conheceu o projeto GG Friends, na qual seguiu participando mesmo após seu retorno ao Brasil.

Ela relata que no próprio evento já haviam alguns jovens recrutando escoteiros de outros países para fazer parte, então inscreveu-se e desde o final de 2023 esteve engajada fazendo algumas tarefas nessa plataforma de intercâmbio online relacionadas à cultura do Brasil, além de temáticas relacionadas ao meio ambiente, história e geografia. Nesse ano, fez uma tarefa sobre uma “missão” onde deveríamos discutir um tema específico relacionado à sustentabilidade — chamada de “Seed Of Hope” — que concorria a um prêmio do Ministro do Meio Ambiente da Coreia. 

E Alice ganhou com um vídeo que explica sobre geografia, questões ambientais e culturais do Brasil ao mesmo tempo que traz com muito humor e leveza sua proposta de sustentabilidade relacionada a mudanças climáticas. Veja a seguir:

Logo no segundo dia, entre passeios e novas paisagens, encontrou um tempo para trabalhar em uma apresentação de slides sobre o Brasil. No dia seguinte, dedicou-se à criação de mais uma apresentação, dessa vez sobre sua própria trajetória, que seria compartilhada com estudantes coreanos.

Prêmio concedido à Alice Feijó. Tradução:
Certificado de Excelência
Concedido a Alice Feijó (Brasil)
Em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, este certificado é concedido em reconhecimento à sua destacada contribuição para o concurso de ideias criativas para salvar o planeta.
Sua proposta, uma semente de esperança, recebeu o maior apoio público e foi celebrada por sua visão inspiradora e potencial de impacto.
Em homenagem a essa conquista, o Ministro do Meio Ambiente tem o orgulho de conceder este prêmio.
11 de julho de 2025
Kim, Wansun
Ministro do Meio Ambiente da República da Coreia

No quarto dia, trocou de hospedagem para vivenciar em primeira mão a experiência completa da universidade; desde o alojamento estudantil até as atividades! Nos dias seguintes organizou reuniões com jovens de diferentes países, conheceu estudantes coreanos e participou de uma conversa com o professor Alexander Murphy, da National Geographic.

Mas o ápice veio no dia 11 de julho: quando Alice recebeu oficialmente o prêmio pelo projeto desenvolvido no Seed of Hope, usando orgulhosamente o lenço da União dos Escoteiros do Brasil! Na mesma ocasião, a embaixadora do Brasil deu uma palestra para o público coreano sobre nosso país.

E se você achou que acabou por aí, achou errado! Antes de voltar ao Brasil, no dia 13, ainda teve tempo para um encontro especial com sua amiga Renata, escoteira mexicana, que tinha acabado de chegar à Coreia. Apesar de pouco tempo, conseguiu marcar esse momento especial entregando a ela um lenço da União dos Escoteiros do Brasil — com direito ao Nó da Amizade! — mostrando que o afeto atravessa fronteiras!

Nesta entrevista, conversamos com Alice sobre essa experiência única e como foi vivê-la!

Você imaginava, lá no Jamboree de 2023, que essa viagem teria uma “parte dois”?

AF: Na saída do Jamboree de 2023 na Coréia do Sul, eu fui chamada por alguns estudantes coreanos pra fazer parte do projeto online, então quando fui selecionada para ir em 2024, eu não acreditei! Eu nunca tinha pensado que eu poderia voltar pra Coréia naquele ano (2023), então foi uma sensação muito boa e surpreendente.

Imagino que você já falou várias vezes sobre, mas nas suas próprias palavras: o que era exatamente a proposta que você enviou para o projeto Seed of Hope?

AF: A proposta que eu enviei consistia em uma análise sobre um tema relacionado ao meio ambiente, e eu escolhi o tema da mudança climática. Nesse projeto, eu tinha que falar do meu país, a importância, a prática, maneiras que posso mudar a situação atual e com que apoio eu posso contar.

O que mais te marcou nessa segunda viagem à Coreia do Sul?

AF: O que mais me marcou nessa viagem foi o fato de muitos estudantes coreanos não terem um conhecimento muito vasto sobre Geografia como temos no Brasil. Num papo com o ex-presidente da Associação Americana de Geografia e professor colaborador da National Geographic, Alexander Murphy, ele me contou bastante sobre a pouca valorização educacional do assunto em muitos países.

Alice Feijó ao lado do Ministro da Cultura da Coreia do Sul.

Qual foi a sua reação quando soube que seu projeto teve o maior apoio público? E quando descobriu que foi premiada?

AF: ⁠Quando descobri o tanto de gente que estava me apoiando, eu fiquei muito emocionada! Meus amigos, professores, colegas, família e as pessoas que conheci no movimento escoteiro estavam sempre ali para mim, e me mostraram que eu realmente merecia aquele prêmio. Quando eu li que tinha sido premiada, fiquei muito surpresa; tinham muitos trabalhos bons, então fiquei muito feliz de saber que o meu estava tão à altura dos outros projetos.

Que mensagem você gostaria de deixar para os jovens que, assim como você, têm ideias transformadoras, mas ainda não encontraram oportunidade?

AF: Eu gostaria de afirmar que com certeza, uma oportunidade virá, não importa o momento ou a forma! A frase que sempre levo comigo é a do ativista Malcolm X: “As únicas pessoas que realmente mudaram a história foram as que mudaram o pensamento dos homens a respeito de si mesmos”.

E agora, depois desse reconhecimento, quais são seus próximos passos? Já tem novos planos? 

AF: Meus próximos passos não estão definidos ainda, mas no futuro, quero seguir uma carreira em que posso ajudar o máximo de pessoas possíveis, afinal, sou escoteira!

Faça como a Alice e participe do GG Friends, a instituição sempre compartilha em suas notícias novas oportunidades como esta para conseguir fazer esse intercâmbio cultural!

O Escotismo do Mar agora é (literalmente) patrimônio!

Poucas semanas depois da comemoração do Dia dos Escoteiros do Mar, o Estado do Rio de Janeiro decretou a Lei nº 10.834 de 27 de junho de 2025, declarando o “Escotismo do Mar” como patrimônio histórico e cultural de natureza imaterial. 

De origem inglesa, o Escotismo do Mar foi criado em 1909 —somente dois anos após a fundação do escotismo por Baden-Powell — para atender jovens interessados na vida marinheira e preparar futuras gerações para o crescimento do setor marítimo. O marco inicial foi um acampamento de 15 dias às margens do Rio Beaulieu, com 100 adolescentes a bordo do navio “Mercúrio”, vivenciando atividades náuticas e experiências de bordo; praticamente a versão marítima do 1º acampamento escoteiro que ocorreu na Ilha de Brownsea. 

Já em terras (ou seriam águas?) nacionais, o Escotismo do mar desembarcou em 1910, influenciado pela Marinha. Afinal, oficiais e tripulações nacionais acompanharam de perto a construção da nova frota em Newcastle (1907–1910). Ao retornar com os navios, trouxeram manuais, uniformes, jovens escoteiros e a vontade de expandir o Escotismo no país. E assim surgiram os primeiros grupos; em 1921, foi fundada a Confederação Brasileira dos Escoteiros do Mar, oficializada dois anos depois pelo Aviso nº 3.811/1923.

Durante o século XX, especialmente entre 1910 e 1960, os Grupos Escoteiros do Mar atuaram junto às Colônias de Pescadores e desempenharam papel central na popularização da vela e das ciências náuticas no Brasil. 

Que a Modalidade do Mar continue sendo porto seguro e horizonte aberto para as próximas gerações, tanto no mar ou em terra, sempre sob o azul anil dos céus de nosso Brasil! 

BIBLIOGRAFIA:

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