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Dia da Consciência Negra: história e Escotismo!
Dia da Consciência Negra: história e Escotismo!
O Dia da Consciência Negra é celebrado em 20 de novembro, homenageando Zumbi dos Palmares, o líder do Quilombo dos Palmares, e marca a luta contra a escravidão e o racismo. Porém, o feriado nacional só foi decretado em 2023 (e trouxe várias polêmicas na época!); por mais que muitos pensem que essa data não vai mudar nada ou sequer trazer questionamentos, é aqui que iremos atuar como agentes de mudanças e mostrar que o racismo estrutural na sociedade brasileira ainda é (infelizmente) mais presente do que imaginamos.
Todo escoteiro de carteirinha sabe que o Escotismo chegou ao Brasil em 1910, junto com a Marinha, um período marcado por tensões que envolviam tanto a instituição militar quanto a questão racial no país. Mas o que pouca gente imagina é que, naquele mesmo ano, essa diferença no tratamento entre negros e brancos desencadeou uma revolta dentro da própria Marinha.
A Revolta da Chibata ocorreu no dia 22 de novembro de 1910, tendo como estopim a punição brutal de 250 chibatadas aplicada ao marinheiro Marcelino Rodrigues Menezes, por ter brigado com um cabo da Marinha. A revolta começou na madrugada de 22 de novembro, quando marinheiros do encouraçado Minas Gerais tomaram o controle da embarcação para exigir o fim dos castigos físicos, melhores condições de vida e trabalho e anistia para quem participou da ação. Esse motim também denunciou os maus-tratos, o tratamento desigual e a falta de acesso a patentes para pessoas negras na Marinha, algo visto à época como um resquício da escravidão.
E segundo Robson Moraes — historiador e escotista do grupo Quarupe 241°/SP — esse navio é o mesmo que vai para a Inglaterra e importa o Escotismo para nossas terras tupiniquins!
Os responsáveis por esse navio, os suboficiais Amélio de Azevedo Marques e José Affonso Severino Drumond (ambos negros!) foram dois dos introdutores do Escotismo no Brasil em 1910!

A questão é que o Escotismo que chega aqui é diferente do que foi proposto lá…

“Primeiro ponto: o Escotismo chegou ao Brasil já um pouco distorcido. Quando Baden-Powell pensou no modelo educativo, dialogou com grupos como a Boys Brigade, na Inglaterra, e com associações juvenis da França para criar uma proposta atraente e menos rígida. Mas, ao chegar ao continente americano, especialmente no sul, a ideia difundida foi apenas a de que o movimento nasceu de um militar inglês.
E não criado por um militar inglês que queria uma ruptura com os modelos tradicionais existentes e rígidos, principalmente pensando na educação inglesa, né? Nos textos de Baden-Powell ele fala sobre a importância do vigor físico; mas ele fala também da importância da alegria, da autorregulação… Coisa que não se falava à época! E então ele já propunha essa ruptura. Ruptura que não chega aqui. Pelo contrário, só chega a primeira parte da frase, né? Baden-Powell, um ex-militar inglês.” — Robson Moraes
Além disso, tanto Robson, quanto Aldenise Cordeiro — historiadora e dirigente, também participante da patrulha jaguatirica, formada por pesquisadores do movimento escoteiro — contextualizam que apesar das coincidências históricas, o Escotismo não foi afetado diretamente. Nessa virada do século XIX para o XX há muita influência do positivismo e do liberalismo, compartilhando muitos valores com o Movimento Escoteiro: fraternidade, sentimento de universalidade, ordem, disciplina e preparo da juventude para realizar progresso.
Aldenise também pontua diferenças que o Movimento teve ao se espalhar pelo território brasileiro. De acordo com uma de suas fontes de pesquisas, Jorge Carvalho, desenvolveu-se duas grandes correntes de Escotismo: uma mais pedagógica e outra mais militarizada, especialmente no Sul e no Sudeste.
Apesar de visar uma abertura dentro da educação formal, acabava limitada apenas a quem tinha acesso a essa educação; nessa época, uma minoria branca, com posses e influência. Assim, nem a educação, nem o Escotismo e muitas outras oportunidades chegavam para a periferia social, formada majoritariamente por pessoas negras e pobres que ainda sofriam com o estigma da escravidão e com as tentativas de criminalização de suas ações.
Infelizmente, essa herança se estende até hoje, com o que é chamado de “racismo estrutural”: quando esse passado escravagista organiza o modo como a sociedade funciona hoje em dia, mesmo que inconscientemente. Em países como o Brasil, isso faz com que pessoas negras sejam empurradas para posições subalternas (ou que não evoluam para cargos de liderança), sofram mais com pobreza, menos oportunidades e violência policial.
E essa estrutura é tão normalizada que acaba adentrando em todos os lugares, até mesmo no Movimento Escoteiro. Uma prova disso é um depoimento da escotista Zéu Gonçalves, que conta que em 1998 vivenciou duas situações de discriminação racial: durante uma viagem nos Estados Unidos, após um Jamboree na Guatemala, um chefe escoteiro local criou situações constrangedoras para os jovens negros ali presentes. Já a outra, foi quando seu grupo foi convidado para atividades turísticas e acampamentos no Rio Grande do Sul, porém impedidos de participar de um evento tradicional gaúcho devido à cor da pele; mesmo que o grupo escoteiro anfitrião não tivesse controle disso, ela conta que foi uma grande decepção.
“Mas aí caiu a ficha de que também no Movimento existe racismo, né? Uma das coisas que eu percebi ao longo desses anos é que a gente pouco se via, por exemplo, nas imagens das nossas literaturas, né? Pouco se via lobinhos, lobinhas negras sendo representados na nossa literatura.”
Atualmente, os Escoteiros do Brasil têm ações para reduzir essas lacunas sociais através de isenções e implementação de políticas de diversidade e inclusão, além dos Espaços Seguros e maior representatividade e pluralidade nos materiais institucionais. Mas sempre é possível ir além! Refletir sobre nossa história, valores, trajetórias individuais e coletivas é indispensável para manter o Escotismo em movimento!
Pensando nisso, nessa data tão importante, viemos homenagear pessoas negras que diariamente contribuem (ou contribuíram) para a continuidade do legado de Baden-Powell, para que o Escotismo continue formando jovens para um futuro melhor!

Thaís Carvalho Sobreira — Profissional Escoteira da região de Minas Gerais, Diretora financeira no 55ºGE João XXIII, Juiz de Fora–MG: Sua trajetória no Escotismo iniciou-se em 2004, inspirada pelo exemplo do irmão (mesmo que relutante na época!). Conquistou todas as insígnias de interesse especial de cada ramo: Cruzeiro do Sul, Lis de Ouro, Escoteiro da Pátria e Insígnia de BP. cada uma delas representando muito esforço e aprendizado e, em suas próprias palavras: “acima de tudo, orgulho de ocupar um lugar que nem sempre foi pensado para meninas negras tímidas — mas que hoje é também meu, e de tantos outros que vieram e virão.”
Hoje, o que a impulsiona é manter essa referência viva: acolher, servir, inspirar e afirmar que sua cor, sua história e sua voz têm lugar na construção do Escotismo. Thaís afirma com convicção que “Representatividade importa. Quando jovens negros veem lideranças negras, eles entendem que podem conquistar e inspirar também. O Escotismo é um movimento de oportunidades, mas elas só se tornam reais quando todos se sentem pertencentes.”

José dos Santos Marques — Conhecido pelo vulgo “Zé Lamparina”, participou da Revolução de 1932 como mensageiro e guia de tropas, estava presente no bombardeio da estação onde morreu Aldo Fiorato. Além disso, atuou na FEPASA, onde ajudou a montar a última locomotiva do país. O apelido veio de um personagem da revista Tico-Tico e se reforçou porque ele produzia lamparinas para financiar o Grupo Mogiana.
Iniciou no escotismo em 1929, na associação de escoteiros católicos Nossa Senhora da Conceição, em Campinas, e destacou-se pela liderança. Fundou o Grupo Ubirajara, chefiou a tropa entre 1938 e 1942 e dirigiu o antigo Grupo Escoteiro Mogiana de 1942 a 1972. Em 1972, assumiu o Grupo Escoteiros Craós, a convite do Círculo Militar de Campinas.
Foram mais de 80 anos dedicados ao escotismo, deixando um legado que segue formando jovens com foco em cidadania, patriotismo e respeito à natureza.
Entre as condecorações recebidas estão a Medalha MMDC (1962), Cruz de São Jorge (1982), Cruz de Valor (1982), Velho Lobo (2005), Mario Covas (2008), Gratidão Ouro (2009), Gratidão MMDC (2012) e Comenda Tiradentes (2013). Além disso, era tão querido pelas crianças e adultos que ganhou uma música interpretada em 2015 pelo Grupo Craós. Zé Lamparina faleceu em 2016, às vésperas de completar 101 anos.

Gene Nelson Lima Carvalho — Chefe da Tropa Sênior, do 20° Grupo Escoteiro José Ribamar, São Luís–MA:
Iniciou sua trajetória no Escotismo em março de 1974, como Escoteiro do Mar, onde encontrou o valor da amizade, sem distinção de raça, cor e credo! Conta que dentre seus maiores desafios foram quando era pioneiro e precisou assumir a assistência da Tropa Escoteira, como Chefe de Grupo no 1° Grupo Escoteiro Yanomami, mas o maior sendo quando precisou resgatar um jovem que caiu em um poço com fogo! Conduziu tudo com calma e técnica, e o resgate foi um sucesso!. Ao entregar o rapaz aos pais, ouviu um agradecimento que marcou sua trajetória e reforçou o valor do seu voluntariado.
Diz que sua maior conquista no Movimento Escoteiro foi ver jovens que orientou crescerem com os princípios do Escotismo. Sobre representatividade, afirma ser respeitado e reconhecido como uma liderança negra que contribui para o Movimento no Maranhão. Hoje, o que o move é seguir participando ativamente do Escotismo, a escola que escolheu para a vida.

Zéu Gonçalves — Akelá e Diretora de Patrimônio do 33º Grupo Escoteiro Cardeal da Silva, Salvador-BA:
Sua trajetória no Escotismo começou em 1985, quando tinha 15 anos, porém, seu registro não existe! Na época o seu grupo ainda não aceitava meninas, mas permitiram (informalmente) que ela apoiasse como Balú na Alcateia. Isso mudou quando ela completou 18 anos, em 1988/1989, quando formaram o clã de Pioneiros e conseguiu finalmente o seu registro escoteiro! Ela diz que “O Escotismo é um Movimento que me trouxe e me traz muitas alegrias, que transformaram minha vida!”
Desde amizades para a vida, quanto viagens pelos mais diversos lugares e oportunidades profissionais, ela conta que seu slogan é “o Escotismo é minha opção de vida”, por conta disso, começou a lutar mais pela representatividade negra dentro do Movimento, tanto em sua região, quanto no resto do Brasil! Ela diz que o que a move é ver o resultado do Escotismo em quem já foi seu lobinho, em suas próprias palavras: “isso só transforma mesmo em alegria, porque é muito bacana você ver uma criança crescer, se desenvolver e hoje está aí, fazendo do nosso mundo um mundo melhor!”
Agradecemos a todos os muitos outros nomes que durante todos esses anos ajudaram a construir a história dessa instituição de do Movimento Escoteiro no nosso país.
Que essas vozes inspirem novas trajetórias e reforcem um Escotismo (e uma realidade!) que celebre a diversidade entre nós!
BIBLIOGRAFIA:
- “Escoteiros do Brasil: 100 anos da UEB”, de Antonio Boulanger (2004) (você pode adquirir o livro na Loja Escoteira!)
- Navios de Guerra Brasileiros: Minas Geraes – Tipo Dreadnought – Classe Minas Geraes (último acesso em: 18/11/2025)
- “Morre ‘Chefe Zé’, que dedicou 87 anos ao escotismo no interior paulista”, por G1 Campinas e Região. (último acesso em 17/11/2025)
- Jose dos Santos Marques , por Thaís Guedes, na área Canto do Saber no site da UEB – SP (último acesso em 17/11/2025)
Escoteiros do Brasil na COP 30: Como foi essa 1ª semana de evento?
Em parceria com a Organização Mundial do Movimento Escoteiro (OMME), os Escoteiros do Brasil estão participando da 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP 30), que está sendo realizada entre os dias 10 a 21 de novembro, em Belém–PA. A COP 30 é o principal evento das Nações Unidas visando reunir líderes globais, representantes, negociadores, instituições e membros da sociedade para decidir um plano de ação global para combater a crise climática. O evento está com debates orientados pelos pilares de mitigação, adaptação, financiamento, justiça climática e implementação de ações e prazos para redução e combate às mudanças climáticas.
Os Escoteiros do Brasil foram convidados a integrar a delegação como ouvintes na Blue Zone; mas também com acesso na Green Zone, que é aberta ao público e possui diversas atividades simultâneas durante o evento!
Inclusive, fica aqui o convite para os associados que queiram participar!
Nesse cenário, a OMME e os Escoteiros do Brasil atuam de forma estratégica ao mobilizar jovens em ações de proteção ambiental e participação cidadã. Como o maior movimento juvenil do país, contribuímos para formar pessoas conscientes e preparadas para atuar na agenda climática. Nossa experiência em respostas a emergências, educação ambiental e projetos socioambientais reforça esse compromisso e soma esforços aos objetivos globais para que ninguém seja deixado para trás.
Um dos destaques dos primeiros dias foi a participação do Representante Juvenil Pedro Jesus, no Pavilhão Children and Youth. Ele apresentou o engajamento dos escoteiros durante as enchentes no sul do Brasil, atuando no apoio às comunidades afetadas, nos primeiros socorros e na assistência às famílias desabrigadas.

“A COP 30 tem sido um evento muito legal para compartilhar experiências, para conhecer novas organizações e para estreitar relações com atuais parceiros do Movimento Escoteiro […] onde a gente tem trabalhado muito para divulgar, principalmente pelos direitos das crianças e dos adolescentes e dos jovens.
A cidade de Belém recebeu muitos investimentos e a cidade ela respira e vive COP 30! […] Existem vários eventos paralelos acontecendo pela cidade, tudo para debater diversas pautas relacionadas à mudança do clima. Então, temos trabalhado bastante da perspectiva dos direitos da criança e do adolescente.
Nas negociações da COP 30 trabalhamos em muitos painéis, levando a perspectiva da educação não formal. A gente falou bastante sobre Earth Tribe, falamos sobre projetos comunitários, falamos do programa Scouts for SDGs e temos levado essa perspectiva para os nossos aliados.” — Pedro Jesus

Outra fala escoteira importante foi a de Joaquim Parafita — representante juvenil do Uruguai — dirigindo-se aos Ministros da Educação que fazem parte da Parceria para a Educação Verde, da UNESCO.
Essa é uma iniciativa global que adota uma abordagem sistêmica para apoiar países no enfrentamento da crise climática por meio da educação; através da promoção de ações coordenadas e abrangentes que preparem alunos para desenvolver conhecimentos, habilidades, valores e atitudes necessários para lidar com as mudanças climáticas e avançar no desenvolvimento sustentável.
A agenda do evento deu destaque especial às novas gerações com a realização da Cúpula das Infâncias, um encontro paralelo que envolveu 600 crianças e adolescentes para colocar o protagonismo infantojuvenil no centro do debate climático, resultando na entrega de uma carta à Presidência da COP 30 e a ministros.
Entre os destaques, jovens escoteiros da UEL 72/PA Grupo Escoteiro Amazônia Verde, do projeto Escotismo nas Escolas, participaram das atividades da Cúpula das Infâncias, fortalecendo o movimento por justiça climática e proteção dos territórios. A presença do grupo reforçou o papel da educação não-formal e da juventude amazônica na construção de uma resposta popular para a crise climática global!


Além disso, cerca de 100 escoteiros de Belém do Pará participaram de uma manhã intensa de debates e dinâmicas na Praça da República, na manhã do dia 16 de novembro, como parte das atividades paralelas à COP 30. Esse evento, inspirado no processo do Balanço Ético Global (BEG), reforçando o compromisso escoteiro com causas socioambientais. Com apoio de representantes da OMME, Escoteiros do Brasil e Escoteiros do Pará, as equipes passaram por cinco bases de discussão — desinformação climática, responsabilidade ética empresarial, saberes locais, custo das mudanças climáticas e mobilização juvenil — transformando dilemas complexos em mensagens e propostas de ação!


Houve também uma ação conjunta entre a Organização Mundial do Movimento Escoteiro (OMME) e a Associação Mundial de Guias e Bandeirantes (WAGGGS).
A Delegação do OMME é composta por:
- Hannah Graham: Gerente de Advocacy, Políticas e Campanhas WOSM – UK
- Isaura Rodriguez: Representante Juvenil do México
- Joaquin Parafita: Representante Juvenil do Uruguai
- Juana Guzman: Gerente de Parcerias Estratégicas e Captação de Recursos WOSM – Colômbia
- Pedro Jesus Silva: Representante Juvenil do Brasil
Voluntários dos Escoteiros do Brasil:
- Ana Carolina Figueiró Longo: Voluntária UEB – DF
- Alexandre Gustavo Longhi: Voluntário UEB – SP
- Débora Baraibar: Voluntária UEB – RS
- Everton Luiz Barragan: Voluntário UEB – RS
- Jaqueline Santana: Voluntária UEB – SP
- Jordana Pelisoli Benites: Voluntária UEB – RS
- Haissa Melo de Lima Gunther: Voluntária UEB – DF
- Ivan Brugalli: Voluntário UEB – RS
- Paula Ramos Raiza: Voluntária UEB – SP
- Vanessa Philippi Cecconi: Voluntária UEB – SC
Escritório Nacional:
- Ana Carla Nunes: Gerente Geral
- Denise Possobom Sozzi: Líder de Desenvolvimento Institucional
- Mayra dos Santos Guidorizi: Supervisora de Expansão
Fique de olho no nosso site e redes sociais para mais informações e novidades sobre a COP 30!
Insígnia inovadores de impacto: conheça a 1ª jovem a conquistá-la!
Você já imaginou ser a primeira pessoa do país a ganhar uma insígnia? Bem, a Victória Linda, do Ceará, sabe bem a sensação!
Ela foi a 1ª pessoa a conquistar a insígnia Inovadores de Impacto; criada através de uma parceria entre os Escoteiros do Brasil, a WOSM e a Accenture para inspirar jovens a transformar suas comunidades por meio de projetos reais utilizando o Design Thinking.

A jovem de 16 anos fez seu projeto sobre dignidade e higiene menstrual, e nos concedeu uma entrevista exclusiva sobre essa jornada! Seu pai, o voluntário Marcos Clayton também participou desse bate-papo.
Segundo Victória, o tema surgiu da percepção de que antes as pessoas não tinham liberdade para falar sobre menstruação, pois havia (e ainda há!) um receio em tratar de algo totalmente normal para todas as mulheres. Ela conta que muitas meninas da sua idade ainda sentem vergonha de conversar com os pais ou até de comprar um absorvente; e também cita o fato de muitas pessoas sequer terem condições de comprar absorventes, o que é caracterizado como “pobreza menstrual”.
Ao pesquisar sobre o assunto, descobriu formas de conseguir o produto gratuitamente. Seu objetivo era de abrir a mente das pessoas ao redor de sua comunidade e também de instruir mulheres e meninas em vulnerabilidade a conseguir absorventes de forma gratuita, para melhorar sua qualidade de vida.
Mas esse tema não foi a 1ª opção! Quando perguntamos sobre como surgiu essa ideia, ela e o pai responderam que veio após muito trabalho dentro da metodologia.
Marcos diz que desde lobinha, ela sempre trabalhou com vida marinha e o ODS 14: “Vida na Água”, que visa a conservação e o uso sustentável dos oceanos, mares e seus recursos marinhos. Quando surgiu esse desafio do Inovadores de Impacto, as exigências da financiadora (uma outra ONG) eram de que não podia usar o ODS 14 e tinha que usar o design Thinking.
Victória disse que essa exigência foi um dos seus maiores desafios! Saindo de sua zona de conforto e de sua área de especialidade, de início a jovem conta que ficou sem saber por onde seguir e bastante assustada pela incerteza. Ela conta que seu interesse pelo meio ambiente já vem de muito tempo e que seu primeiro projeto nessa área foi o “Adote seu Copo”, incentivando pessoas a levarem seus próprios copos de casa para evitar o uso dos descartáveis; mas não nega que a trajetória do pai, também do Movimento Escoteiro, a inspira muito nesse tema!
Mas foi justamente isso que ajudou a afunilar os temas; com a exigência de trabalhar com 4 ODS específicos e durante sua pesquisa, Victória encontrou caminhos relacionados ao autocuidado e à saúde, até chegar ao tema da higiene menstrual, que abrange tudo isso!

“E aí eu pensei sempre que falam muito sobre higiene no geral, mas não falam sobre menstruação. Então pensei: por que não menstruação? Porque até hoje as pessoas têm um pouco de receio, como aconteceu no meu próprio grupo. Então vamos falar sobre menstruação para as pessoas terem uma mente mais aberta. Os chefes homens que têm, as escoteiras, as guias, terem uma mente mais aberta, porque, assim, normalmente sempre é ‘ah, frescura’ ou quando a mulher precisa faltar no trabalho ou na escola sempre falam: ‘ah, é frescura, é besteira, é só uma dorzinha, é algo básico’. Não, não é. Não é frescura não. Vou mostrar para você que não é frescura.”
Marcos também complementa que quando Victória começou a desenvolver o material, ela realizou pesquisas e questionários para compreender melhor a realidade e identificou que muitas pessoas ainda enfrentam grande dificuldade para conseguir absorventes. Foi através disso que ela resolveu criar um cartaz explicando como obter absorventes gratuitamente, já que quase ninguém tem essa informação e muitas pessoas ainda passam o dia com um único absorvente, pois só conseguem adquirir uma caixinha por mês. Com todo esse contexto, saber e divulgar que o governo fornece gratuitamente representa uma mudança significativa na qualidade de vida dessas meninas e mulheres!
Mas o maior desafio de todos ainda foi o tabu!
Mesmo com os avanços sociais que tivemos até agora, 2025, a jovem conta que sentiu muita dificuldade em abordar o assunto.
“No dia do desfile do sete de setembro, eu ia aplicar essa atividade falando com as pessoas no final do desfile […] E aí eu ia aplicar essa atividade dando uns kits de higiene, falando sobre higiene no geral, com foco em menstruação. Lógico, ia falar com as pessoas. Só que aí o financiamento não chegou. Mas então eu pensei: ‘vou aplicar com as sessões do meu grupo’.
Aí eu fui falar com a chefe da alcateia e com a chefe da Tropa Escoteira. A chefe da Tropa Escoteira, ela ainda ficou com um pouco de receio, porque atualmente só tem uma menina na tropa escoteira; então ela achou que não seria um conteúdo muito legal… Mas ela também me ajudou no meu projeto: ela criticou algumas coisas que me ajudaram a me aprofundar mais no tema.
E eu também falei com o chefe da alcateia que ela não gostou mesmo. Ela falou que é um assunto muito forte assim para as crianças da idade dos lobinhos. Ela não gostou, achou muito forte… E eu… Bom, tudo bem, eu só aceitei.”
Marcos explicou que, nesse caso da Alcateia, Victória fez uma abordagem que utilizava os itens de progressão dos lobinhos para desenvolver o tema, já que, para conquistar o Cruzeiro do Sul, era necessário abordar certos pontos relacionados. No entanto, mesmo com esforços, foi preciso buscar outro público, em escolas e outros espaços, para aplicar o projeto. Dentro do próprio grupo, houve dificuldade, pois a chefe da Alcateia, mesmo sendo mulher, ainda considerava o tema um tabu e não concordava em tratá-lo com as crianças.
Felizmente, nesses outros espaços, a jovem conta que a aprovação foi melhor!
“Na escola teve uma aceitação bem melhor do que no Grupo Escoteiro, ou pelo menos com a minha chefe, teve uma aceitação bem melhor. Na minha escola tem um podcast e eles fizeram um podcast sobre menstruação e foi muito bom! Esse podcast não foi eu que fui entrevistada, mas eu assisti o episódio. Foi muito bom de verdade.
Ninguém fez piada, piada de mal gosto assim e principalmente na sala de aula, na aula de ciências, quando o professor vai falar sobre esse assunto, às vezes os meninos ficavam ‘Ai que nojo, eu não sei o quê’; atualmente não tem isso, pelo menos na minha sala… Na minha escola não tem mais isso. Isso é realmente muito bom, porque eles abriram a mente e viram que é algo totalmente normal da mulher. Toda mulher tem.”
Perguntamos qual foi a melhor parte de desenvolver seu projeto e o que mais marcou esse processo, e ela respondeu que foi ter participado de um podcast com uma voluntária escotista que fez um curso capacitante sobre o Inovadores de Impacto; e, apesar da experiência não ter sido como o planejado, foi melhor do que ela esperava!

“Acredito que foi ontem que participei de um podcast e em que eu também fui entrevistada! A conversa foi com uma chefe de Santa Quitéria, no interior do Ceará, que havia feito um treinamento em Curitiba sobre a insígnia Inovadores do Impacto. Depois que ela voltou, decidimos gravar juntas… Ah, na verdade, a ideia era de nós darmos uma palestra para os Ramos Sênior e Pioneiro, mas aí não foi ninguém, porque a gente não lançou no Paxtu! […] mas isso não nos desanimou.
A gente sentou lá, uma na frente da outra, fez o podcast e eu perguntei sobre o que é a insígnia, né? Para ela também falar. Aí trocamos perguntas e acredito que foi algo bem mais íntimo, que me deixou mais leve, e eu consegui me expressar melhor. Então foi muito legal!
Outro momento especial também foi quando meu pai mandou a mensagem dos Escoteiros do Brasil falando que a primeira insígnia foi conquistada e eu fiquei ‘Meu Deus, essa pessoa sou eu!’ Eu fiquei muito feliz, tipo, eu me esforcei bastante, então acredito que assim o mérito realmente seja meu! E eu tive esse reconhecimento que eu queria!”
Ela contou que se sentiu muito mais leve, embora estivesse bastante tensa no início, por ter certa dificuldade em falar em público, mas confessa que ficou chateada quando ninguém apareceu. Porém, a ideia de transformar o momento em um podcast trouxe alívio e transformou a experiência em algo bem mais leve: conta que ambas conseguiram se soltar, e ela percebeu que conseguiu se expressar melhor, falando com mais clareza sobre o projeto. Ela acredita que se tivesse sido com público, teria falado menos ou até esquecido alguns pontos importantes. E, além de tudo, nos contou entre risadas que os erros de gravação tornaram tudo mais divertido!
“Bom, eu falaria para os jovens de hoje que comecem a se interessar mais pelas coisas, porque, sinceramente, vejo que muitos não têm e foi o que aconteceu aqui […] Gente, é uma coisa tão legal! No começo, quando a gente pega o material, pensa: ‘Ai, meu Deus, é muita página, é muita coisa, vou cansar, não quero fazer’. Mas, quando você senta e começa a estudar, vê que não é algo surreal, entendeu? Não é um bicho de sete cabeças!
Então, tipo, quando você vai lendo, você vai se interessando pelo assunto e logo você começa a criar o próprio projeto. E você não precisa fazer isso sozinho. Você pode ter ajuda dos seus pais, dos seus chefes ou até dos seus amigos, porque com mais gente é tudo mais legal!
Então eu falaria pra eles correrem atrás desse sonho, para fazer uma mudança, não só no Brasil, mas no mundo. Quando você se dedica, o reconhecimento vem, como aconteceu comigo. Então você vai ter se esforçado, você vai ter ajudado novas pessoas, vai ter feito as pessoas entenderem mais sobre o assunto que você escolheu… Você muda a mente das pessoas, consegue ajudar os outros e ainda tem o seu reconhecimento. Além disso, o aprendizado fica com você! Então assim, se você for ver algo relacionado sobre esse tema na escola ou em outro lugar, você já vai saber!”
Complementando sua própria fala, Victória conta que através do Movimento Escoteiro ainda consegue aproveitar plenamente a juventude e que já conseguiu viajar pelo Brasil acampando em eventos como Camporees e outros! Disse que, além de viver tudo isso, sente que contribui para um mundo melhor e se sente bem consigo mesma; afinal, para a jovem, fazer a própria parte é o que traz tranquilidade e consciência limpa em saber que está construindo um mundo melhor.
Ressaltou a importância de cuidar da Terra, especialmente diante da situação atual e dos impactos visíveis (como o que acontece na Amazônia) e que cada pequena atitude importa. Seu desejo é inspirar outras pessoas a entenderem que cada pequeno passo importa, e que a transformação socioambiental é construída diariamente por nossas atitudes: “Se cada uma das oito bilhões de pessoas fizer a sua parte, o mundo já vai melhorar muito! Mesmo que você pense ‘ah, sou só uma pessoa’, saiba que sim, a sua atitude ajuda!”

Ela também compartilhou que, além de ter sido a primeira a ganhar essa Insígnia, também irá participar da COP 30 por meio de outra ONG!
“Se não fosse o Movimento Escoteiro, eu não teria descoberto essa ONG! Então, sim, eu vou levar o meu lenço Escoteiro para a COP 30, porque se não fosse o Movimento Escoteiro eu não seria nada. Se eu não fosse escoteira, eu não seria a Victória.
Então eu agradeço muito aos Escoteiros do Brasil, agradeço a Baden-Powell, porque eles formaram a minha personalidade, o meu jeito.
E assim como o meu pai falou, ele entrou no Movimento Escoteiro pequenininho e conquistou tudo… Então assim para mim, ele é minha maior inspiração, ele é meu tudo! Nossa, eu amo meu pai de verdade.”
No fim das contas, o que mais impressiona na história de Victória não é apenas a conquista da insígnia, mas o caminho até ela. Assim como o próprio Escotismo, toda essa trajetória (do projeto e da vida!) mostra evolução e movimento, mas sem perder a ternura e a troca entre gerações.
A dedicação e a vontade de aprender abriram caminhos que estão a levando para o maior evento de sustentabilidade do mundo, a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP 30! Lá, ela vai representar todos os irmãos e irmãs de lenço do país e mostrar que a juventude possui um papel de liderança na inovação e construção de um futuro melhor.
O Inovadores de Impacto nasceu para multiplicar histórias como essa!
Quem sabe a próxima não é a sua?
Lançamento dos Guias de Bolso Jovem
Hoje é dia de dar boas-vindas aos nossos novos Guias de Bolso Jovem! Assim como nosso Programa Educativo, é claro que os Guias de Bolso também iriam ficar de cara (e até nome!) nova, e você pode conhecê-los hoje, a partir das 16h!
Para acessá-los, siga esse passo a passo:
- Acesse o site da Loja Escoteira
- No menu, siga o caminho: Departamento Educativo → Categoria Programa Educativo Atualizado → Literaturas ou vá diretamente ao link: https://bit.ly/ProgramaEducativo-Literaturas
- Adicione as literaturas ao carrinho e clique em “Adquirir”.
- Faça o login na sua conta. Caso seja o primeiro acesso, realize o cadastro em Minha conta → Cadastre-se → Associado.
- Ao informar o CPF, seus dados serão preenchidos automaticamente a partir do Paxtu.
⚠️ Mas atenção: é necessário que o registro do associado esteja ativo para concluir o acesso. ⚠️
Inicialmente, os materiais serão disponibilizados com marca d’água, indicando que se tratam de arquivos passíveis de ajustes antes da versão final para impressão.
Ressaltamos a importância de acessar exclusivamente os arquivos pela plataforma oficial, evitando o uso de versões paralelas, desatualizadas ou modificadas. Assim, garantimos o acesso à versão mais recente e validada dos conteúdos!
Os associados terão o prazo de 10 dias para análise dos materiais e poderão contribuir com sugestões de revisão e aprimoramento através desse link!
Em casos de instabilidade ou lentidão, nossa equipe profissional estará disponível para oferecer suporte aos associados pelos canais oficiais, inclusive em plantão no sábado, dia 15 de novembro, das 8h30 às 12h.
- Dúvidas sobre o conteúdo: [email protected]
- Problemas técnicos na plataforma:
- E-mail: [email protected]
- Telefone: (41) 3020-4700
Esses novos guias substituem algumas literaturas antigas e trazem um novo olhar sobre a vivência no Movimento!

Ramo Lobinho
O Guia do Povo Livre substitui 3 literaturas:
- 1° Guia do Caminho da Jângal
- 2° Guia do Caminho da Jângal
- Alcateia em Ação!
O Guia do Povo Livre foi criado para apoiar lobinhos e lobinhas no dia a dia da alcateia! Ele reúne as informações essenciais sobre o funcionamento do ramo e apresenta as ações necessárias para conquistar os distintivos de progressão. Este livro, além de lúdico, conta com diversas ilustrações para alcançar a compreensão das crianças que utilizarão este material.

Ramo Escoteiro
O Guia da Descoberta Escoteira também substitui 3 literaturas:
- Guia da Aventura Escoteira — Pista e Trilha
- Guia da Aventura Escoteira — Rumo e Travessia
- Tropa Escoteira em Ação
O Guia da Descoberta Escoteira apresenta o essencial para começar bem a jornada nesse Ramo! Reúne orientações sobre o funcionamento da tropa, o Período da Acolhida, distintivos de progressão, Eixos e Blocos de Aprendizagem, além de cerimônias, símbolos e sinais manuais — tudo para apoiar quem inicia novas aventuras com o grupo.

Ramo Sênior
O novo Guia do Desafio Sênior substituirá os:
- Guia do Desafio Sênior
- Ramo Sênior em Ação
O Guia do Desafio Sênior reúne o essencial para os adolescentes de 15 a 17 anos, guias e seniores, vivenciarem momentos inesquecíveis com seus amigos. Esse livro traz orientações sobre o funcionamento da tropa, o Período da Acolhida, distintivos de progressão, Eixos e Blocos de Aprendizagem, além de cerimônias, símbolos e sinais manuais. Um apoio direto para quem está pronto para viver aventuras e superar desafios!

Ramo Pioneiro
O Guia do Horizonte Pioneiro substitui os livros:
- Guia do Projeto Pioneiro
- Clã Pioneiro em Ação
O Guia do Horizonte Pioneiro apresenta o essencial para jovens de 18 a 22 anos incompletos que iniciam a jornada no Clã, que será repleta de oportunidade de viver experiências únicas e momentos inesquecíveis! Ao mesmo tempo em que estarão elaborando um projeto de vida para o futuro, convivendo com novos conhecimentos e conceitos, poderão incorporar novas e importantes habilidades, que serão úteis por toda a vida.
Sempre Alerta!
Outubro Rosa: histórias de superação dentro do Escotismo
O Outubro Rosa é um movimento internacional de conscientização para a prevenção e combate do câncer de mama, criado no início da década de 1990 pela Fundação Susan G. Komen for the Cure, e popularizou-se em todo mundo em meados dos anos 2000. Em 2013, a discussão sobre prevenção foi inflamado pela decisão da atriz Angelina Jolie de realizar uma dupla mastectomia preventiva, devido a uma mutação genética e histórico familiar (ela perdeu a mãe, a tia e a avó para a doença), que em seu caso, aumentava em 87% o risco de câncer de mama.
Apesar do alvoroço midiático, a história de Angelina é mais comum do que se pensa: outras famosas como Patricia Pillar, Elba Ramalho, Jane Fonda e Brigitte Bardot também foram diagnosticadas com a doença. No Escotismo, conhecemos mulheres que trilharam caminhos parecidos.
E não é para menos! De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o tipo de câncer mais comum (e mais letal) entre as mulheres no Brasil; a taxa de incidência é de aproximadamente 66 casos para cada 100 mil mulheres.
Neste Outubro Rosa, celebramos mulheres do Escotismo que enfrentaram o câncer de mama e seguem sendo exemplo vivo de coragem e inspiração: Adriana Florencio (PE), Megumi Tokudome (PR), Paula Helena Silveira Mees (SC) e Simone Ferreira (PR).
Elas gentilmente cederam entrevista aos Escoteiros do Brasil para compartilhar suas histórias de superação! Mas vamos começar do começo…
Como começou a suspeita? Entendemos que com a rotina e correria, muitas de nós até esquecemos de marcar exames e fazer o autoexame, o que fez com que você pensasse “ok, agora é hora de ir a um médico”?
A resposta de todas variou bastante, mas possuem um componente em comum: os exames preventivos no momento certo!
A Adriana disse que ela já fazia os exames preventivos todos os anos, mesmo sendo nova — com 35 anos — devido às suas duas gestações. Ela conta que resolveu ir ao médico após um ocorrido: “E, certo dia, eu estava conversando com a mamãe, no portão da casa dela, e eu senti uma forte fisgada na mama. No mesmo momento que eu passei a mão, […] no local que deu essa fisgada, eu senti um carocinho […]” — como já estava na hora de renovar os exames, foi ao médico e relatou esse ocorrido; a médica passou uma ultrassonografia, mas o resultado do exame não foi positivo.
Já no caso de Megumi, o diagnóstico veio com um alerta do médico de que seus exames estavam atrasados; o ano era 2022 e ela achava que tinha feito em 2019, mas, na verdade, tinha sido 2017!
Tanto no caso da Simone quanto da Paula, o incômodo veio com um carocinho bastante incômodo… Mas Paula teve que passar pelo processo de descobrir o diagnóstico 2 vezes!
Simone: “Venho de uma família que tem um alto índice de câncer. Sou a sétima em minha família. Sempre tive um nódulo na mama esquerda em que às vezes me incomodava, inchava, avermelhava e doía.” Em 2016, conta que procurou um médico por causa desse nódulo, que acabou sendo benigno. Em 2020, na pandemia, voltou a incomodar e agora acompanhado com uma íngua dolorida embaixo do braço. Quando os atendimentos normalizaram, fez mamografia e o médico percebeu que era maligno e explicou o que precisava fazer.
Paula tinha 33 anos quando notou um caroço na mama, durante seu autoexame. Procurou um médico pelo SUS para fazer exames e, após resultados, o médico pediu uma biópsia que confirmou o câncer. Na 2ª vez, quase 15 anos depois, ela notou uma íngua na axila esquerda, do mesmo lado da cirurgia anterior (uma quadrantectomia, onde eles tiram apenas um quadrante, pois o tumor era pequeno, tava encapsulado e não tava se expandindo) e apesar do incômodo, o médico deu medicações após os resultados dos exames, por ser considerada pequena… Após um dia em que coçou a área do mamilo e sangrou muito, ela já foi ao posto de saúde, teve os encaminhamentos necessários, realizou os exames e recebeu a notícia que era (novamente) o câncer de mama.
Você lembra como foi o momento em que recebeu o diagnóstico? E quais foram seus primeiros pensamentos ou medos naquele momento?
O sentimento é o mesmo: medo. Medo do desconhecido, do que o futuro aguarda, medo da morte.
Megumi ainda teve o acréscimo da culpa, mas não por muito tempo:
“Meu mastologista me esclareceu, dizendo que, na verdade, eu tinha tido muita sorte, porque do jeito que esse meu tipo de câncer é agressivo, provavelmente se eu tivesse feito a mamografia no final do ano, em dezembro de 2021, ela teria dado negativo, não teria aparecido nada. Então, eu tinha feito, na verdade, na época correta.”
Depois dessa notícia, ela conta que sentiu como se uma luz se abrisse. O câncer surgiu quando estava preparada: mais madura, cercada pela família, com um marido companheiro, duas filhas, plano de saúde e um trabalho estável para enfrentar o processo com calma.
Paula conta que a sensação que “tinha era de que eu fiz uma prova na escola que eu não tinha estudado, então, sabia que o resultado não seria muito bom porque […] minha consciência já dizia que podia ser um câncer. […] E na 2ª vez que eu recebi o diagnóstico mesmo, lembro que eu desci as escadas do consultório da médica e aí foi um baque mais difícil, porque a gente pensa ‘poxa, rodar nessa matéria e ter que fazer tudo de novo’… Sentei na escada e chorei muito sozinha […]”

Porém, todas unanimemente disseram que o mais importante no momento é manter a calma. Segundo Simone, “a partir do momento que você organiza sua cabeça e entende que será necessário passar pela situação tudo muda. Tudo fica mais leve.”
Principalmente tratando do tratamento. Todos os tratamentos para câncer — quimioterapia, radioterapia, imunoterapia e intervenções cirúrgicas — são altamente invasivos. Mas durante as entrevistas, nota-se que há dois pontos que ligam as suas experiências: o apoio da família e a questão do cabelo.
Elas enfatizaram muito o apoio dos amigos e familiares durante o tratamento, que essa rede de apoio foi crucial para enfrentar as dificuldades e, principalmente, o maior motivo que fez com que elas mantivessem o foco e a esperança para superar a doença. Mas além disso, essa rede é uma das partes mais importantes especialmente quando falamos sobre cuidado e autoestima.
Quando perguntamos qual foi o momento que mais as marcou durante esse período de tratamento, Simone respondeu que “O que mais me marcou foi perder o cabelo e entender que perder o cabelo é a fase mais bonita… é o renascimento, uma nova história, uma nova rotina e a chance é continuar vivendo, mas olhando a vida de uma forma diferente.”
Já Megumi compartilhou um momento muito especial que teve em família:
“Como eu sempre tive cabelo longo, e eu sabia que já ia cair logo após a primeira aplicação, então eu preferi cortar o cabelo mais curto, tipo Joãozinho… para que o impacto fosse menor para mim e para quem convivia comigo […]
Quando eu senti que estava caindo, e já ia começar a cair mesmo, eu pedi para o meu marido raspar meu cabelo, que eu não queria ver aquelas cenas de tufos caindo durante o banho ou no dia a dia. Então, quando eu fui tomar banho, as meninas ficaram aqui no quarto e elas perguntaram para o meu marido por que é que a mamãe estava demorando tanto no banho, e o meu marido comentou que […] o cabelo da mamãe estava caindo e que ele iria estar ajudando raspar.
Elas ficaram aguardando do lado de fora e elas queriam ver como é que eu estava. Quando eu saí do banheiro de cabelo raspado, elas olharam, ficaram quietas por um instante, olhando para mim… Falei: ‘e aí, quem é que vai me ajudar a escolher um lenço bem bonito para ver como é que a mamãe fica?’
E a partir daquele momento, abriu-se um sorriso na cara delas, no rostinho delas, e peguei os meus lenços coloridos e comecei a testar já algumas formas que eu já tinha visto alguns tutoriais, e elas começaram a me ajudar a escolher lenços que são super coloridos, floridos para colocar, e elas se divertiram, coloquei nelas, e elas iam escolhendo a ordem dos lenços para testar, e isso foi assim um momento nosso […] A partir do momento que eu lidasse com maior simplicidade possível essa doença, elas também lidariam com a maior naturalidade e simplicidade possível.”
No caso de Paula, o que mais abalou sua autoestima foi a notícia de que não conseguiria reconstruir os seios, mesmo indo em 3 especialistas diferentes. Mas a cura veio de quem mais estava ao seu lado: o companheiro.
“Eu voltei da última consulta meio revoltada ainda, porque é difícil essa cirurgia. E ele me abraçou, me botou no colo dele e disse para mim:
‘Tu sabe que para mim não importa, eu te amo. Tu podia não ter uma mão, eu ia te amar igual. Tu podia não ter um braço, eu ia te amar igual. Tu podia não ter um pé, uma perna, eu ia te amar igual. Tu não tem uma mama, eu te amo igual.’.”
Mas nem tudo são flores… Durante as entrevistas, chamou atenção o impacto do câncer na vivência familiar. Adriana contou para nós que o filho sofreu preconceito na escola e reagiu a uma ofensa sobre sua aparência durante o tratamento; o filho relatou que, para xingá-lo, o seu colega disse “tua mãe é aquela gorda cancerígena”. A partir disso, ambas mães foram chamadas no colégio para falar sobre o ocorrido. “O que mais me surpreendeu nesse redor é a falta de mães, pais, explicarem para os filhos como é e o que é o câncer, como é que as pessoas têm que ser respeitadas, tratadas…”
A filha de Megumi falou sobre o receio do bullying, o que levou Megumi a buscar apoio na escola para evitar situações de constrangimento entre os colegas. Já Paula relatou que, apesar da boa intenção, a professora da filha pedia que a turma rezasse por ela, o que causava sofrimento: “Às vezes, um gesto bem-intencionado pode traumatizar mais a criança do que ajudar.”

Dentre tantos relatos e detalhes, perguntamos como o Escotismo participou na história delas durante esse período, e é interessante perceber o como atuou de maneira positiva nessas vivências diferentes!
A Adriana e Paula contam que ainda não eram parte do Escotismo na época, mas foram muito acolhidas por todos. Inclusive, Paula disse que entrar para os Escoteiros foi a realização de um sonho! — “Porque quando eu era pequena, quando eu era menina, mocinha, eu queria fazer parte do grupo escoteiro. Pensa, eu tenho 53 anos, né? Mas a minha mãe dizia que isso era uma coisa de menino, que isso não era coisa de menina, que isso não era para mim…”
Simone conta que por conta da pandemia, não teve tanto contato com seu grupo, mas que mesmo assim eles nunca deixaram de mandar mensagens de apoio e carinho; inclusive, em uma das raras visitas permitidas naquele período, recebeu uma orquídea de presente, que ela tem e cuida até hoje.
Enquanto isso, Megumi conta de outro ponto de vista:
“No grupo escoteiro, eu recebi um apoio gigante, assim, desde os membros da diretoria aos chefes escoteiros, mas principalmente porque eu estava com a minha filha mais velha entrando no ramo Lobinho. Então, durante o período introdutório dela, eu recebi a notícia da confirmação do meu diagnóstico e eu não sabia se eu precisaria fazer a cirurgia logo no começo ou se a cirurgia seria depois da aplicação de quimioterapia.
Eu conversei com a chefia, com a chefe assessora da minha filha e com a Akelá principalmente e eles anteciparam a promessa escoteira da minha filha para que eu estivesse presente e isso foi muito, muito importante para mim, assim, poder estar presente nesse momento […] Então, foi muito especial esse momento, assim, eu estar lá — viva (risos) —, testemunhando aquele momento da minha filha, vendo ela sendo introduzida no escotismo, naquele ambiente. Então, o Grupo Escoteiro Santos Dumont, assim, tem um carinho enorme, uma gratidão enorme pela compreensão, apoio, suporte que eu recebi durante todo esse momento.”
Depois de contarem como o Escotismo foi um apoio importante durante o tratamento, elas também refletiram sobre o que fica dessa experiência. Perguntamos “Qual legado você gostaria de deixar para outras voluntárias e jovens que olham pra sua trajetória?” e para deixar uma mensagem a mulheres que possam estar passando pelo diagnóstico agora:
- Adriana: Depois que eu superei o câncer, mudei a forma de ver tudo e todos, de querer viver intensamente, cada vez mais. Eu acho que até a humildade da gente aflora mais. Você sabe que sua vida não é nada, então você quer viver ela da melhor forma possível, porque você está aqui hoje e pode não estar amanhã. Você quer deixar lembranças boas. […] Eu diria às mulheres que passam por esse processo: não desistam. O câncer não é impossível de ser curado, e conheço muitas pessoas que venceram… Mas o diagnóstico precoce faz toda a diferença, quanto mais tardio, mais prejudica o tratamento.
- Megumi: Na Lei Escoteira, onde diz que “o escoteiro sorri nas dificuldades”, é fazer do limão a limonada […] Então esse é o grande legado que eu tirei de aprendizado, eu sempre fui uma pessoa muito rígida comigo mesma e essa doença veio e me ensinou que eu não tenho controle sobre tudo na minha vida […] então acho que a partir disso eu comecei a viver de forma mais leve. Acho que a mensagem que eu deixo para as pessoas que estão passando por esse mesmo desafio são as frases que realmente me ajudaram muito: “um dia ruim não faz a sua vida ruim” e “o câncer é só mais um capítulo da sua vida, não a sua vida”
- Simone: Tudo passa, bem ou mal passa. Aceite o tratamento, pois sem dúvida vai ficar mais leve. […] Tenha força! Aproveite a vida. Não fique pesquisando nada em internet porque Google não tem filtro e nem CRM, confie em tua equipe de médico e acredite em Deus, no tratamento oncológico. Não estamos aqui a passeio e o que tiver que ser será! Não esqueça que diagnóstico de câncer não é sentença de morte. Apenas viva e viva intensamente.
- Paula: Não sei se deixo um legado, mas gostaria que outros voluntários e jovens lembrassem de cuidar da própria saúde. Percebam qualquer mudança no corpo, quanto antes o diagnóstico, mais eficaz o tratamento, especialmente nos casos de câncer de mama. Mas eu gostaria de dizer para todas as mulheres que passam por isso agora: tenham calma. É como estar em um barco no meio da tempestade — é hora de recolher as velas e esperar passar. Aceitar faz parte do processo; metade do caminho está aí, a outra é o percurso. Depois, tudo renasce — o cabelo, a vontade, a força. Não é fácil, mas um dia de cada vez, você vence.
Suas respostas refletem o verdadeiro espírito do Escotismo: em constante evolução, adaptando-se às transformações ao mesmo tempo que mantém seus valores. Essas histórias têm tudo a ver com o nosso tema anual: “Escotismo em Movimento”. Por isso, para encerrar, perguntamos: o que te move hoje?
Quer essa mesma camiseta para demonstrar seu apoio, com todo estilo que só a Loja Escoteira pode fornecer?
Veja a seguir um passo-a-passo de como realizar o autoexame, assim como alguns dos principais sintomas do câncer de mama:

Se você ficou com curiosidade de ouvir as histórias completas, pode acessá-las abaixo:
História de Adriana
História de Megumi
História de Paula
História de Simone
Sempre Alerta! ⚜️
Aquisição dos Manuais dos Escotistas
Desde o lançamento dos Manuais dos Escotistas, no dia de ontem, ficamos cientes das dificuldades encontradas no acesso dos materiais. Um gatilho de segurança do Google foi acionado em virtude do grande volume de acesso à plataforma, ocasionando problemas no site. Além disso, fomos informados de que os associados receberam e-mails sem o link de acesso aos PDFs, e, agora após a normalização do site, receberam múltiplos pedidos que não correspondem aos seus.
Informamos que a plataforma já foi estabilizada e o acesso aos materiais está normalizado. Os associados que já realizaram a aquisição receberão um e-mail com o link de acesso ao conteúdo e as pessoas que gostariam de adquirir já conseguem fazer isso gratuitamente pelo e-commerce da Loja Escoteira. O link de acesso será enviado para o e-mail logado na plataforma e também ficará disponível na área de pedidos. Devido ao ocorrido supracitado, sugerimos que todos olhem a área de spam de seus e-mails.
O acesso é restrito ao e-mail utilizado no pedido e não pode ser compartilhado com outras contas, por isso o material estará disponível somente em modo de leitura, não sendo possível fazer download, cópia ou redistribuição. Esses manuais são atualizados e sofrem melhorias em tempo real. Sempre que você acessar, estará lendo a versão mais atual.
Reforçamos que evitem utilizar os arquivos em PDF que circulam por aplicativos de mensagens, já que apresentam erros de formatação e podem conter conteúdo desatualizado. O acesso realizado diretamente pela plataforma da Loja Escoteira é o único que assegura a consulta à versão mais atualizada e válida dos conteúdos.
Clique aqui e adquira gratuitamente os Manuais dos Escotistas:
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Em caso de dúvidas ou sugestões, entre em contato pelo e-mail [email protected]
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A evolução do escotismo: Como o movimento se adapta às mudanças da sociedade sem perder sua essência
Você já se perguntou como um Movimento criado em 1907 por um militar inglês conseguiu se tornar (e se manter) tão popular por tanto tempo? Bom, com certeza você sabe que temos pensamentos e costumes muito diferentes dos que os daquela época, especialmente dos ingleses daquela época!
Pois é, e é justamente aí que está a genialidade do Escotismo! Desde a fundação do Movimento Escoteiro, Baden-Powell deixou claro que sua proposta é viva, flexível e baseada em princípios e valores universais: caráter, saúde (física e mental), habilidades manuais, serviço ao próximo e espiritualidade. Não por acaso conseguiu perpassar duas guerras mundiais, transformações de nações e mudanças sociais de extremo impacto e, mesmo assim, continuou encantando jovens do mundo inteiro.
O grande sucesso de expansão do escotismo mundo afora se deve principalmente à liberdade de adaptação; cada país pode adaptá-lo de acordo com sua cultura e realidade social, preservando os princípios e o Método Educativo Escoteiro, elementos que conferem sua unidade. E, da mesma forma, o Escotismo também acompanha as mudanças sociais de onde está inserido, de modo que mantenha sua relevância.
Um grande exemplo disso é a aceitação de mulheres e meninas no Movimento, em aproximadamente 1915, com a transformação causada pela luta feminista para garantir o direito das mulheres (especialmente no voto) na Europa e nos EUA. Uma dessas protagonistas foi Vera Barclay, que assumiu nesse mesmo ano a liderança dos primeiros lobinhos; apesar dessa conquista, o papel feminino no Escotismo era apenas para adultas na função de chefiar as alcateias.
Aqui no Brasil, em 1914 — pouco após a criação da Associação Brasileira de Escoteiros — foram criadas as Brigadas de Escoteiras, suas afiliadas que tinham o objetivo de “fornecer à Pátria boas cidadãs, boas donas de casa e boas mães de família”, uma história que se entrelaça com o Movimento Bandeirante, mas essa história é muito longa para essa matéria, então fica para a próxima! 😅
Voltando aos escoteiros: inclusive, o ramo Pioneiro fez jus ao seu nome e foi o primeiro a aceitar garotas como jovens no Movimento Escoteiro nacional! Desde 1963, o Clã Pioneiro do GE Georg Black 1/RS já realizava atividades mistas e em 1968 tornou-se o 1º Clã Misto do Brasil. Entre os anos de 1979 a 1985 o processo de co-educação foi implantado nacionalmente, aceitando gradativamente as meninas em todos os ramos. Grupos mistos só se tornaram realidade na década de 80, depois de mais de 70 anos da fundação do Escotismo!

E com pessoas LGBTQIAP+ a inclusão é ainda mais recente: a Boy Scouts of America (BSA) — entidade que representa o Movimento Escoteiro nos Estados Unidos — liberou a participação de adolescentes homossexuais somente em 2013; em 2015, a de adultos voluntários; e em 2017, a de pessoas trans. Nacionalmente, os Escoteiros do Brasil lançaram publicamente seu Posicionamento oficial sobre homoafetividade em 2015, reforçando seu papel como movimento educacional e inclusivo, aberto a todos, mas ainda com muito trabalho a ser desenvolvido para a sua plena inclusão no Escotismo. Afinal, segundo pesquisa, ainda há um preconceito velado dentro de muitos grupos, além da falta de representatividade de pessoas transsexuais, mesmo que muitos jovens sintam-se seguros de se expressar dentro do Movimento Escoteiro; por isso políticas como a dos Espaços Seguros são tão importantes!
E o mundo segue mudando! Nos últimos anos a instituição já havia percebido a necessidade de atualizar o Programa Educativo e inclusive já estava trabalhando nisso! Nesse período, os Escoteiros do Brasil se debruçaram em pesquisas e análise de resultados, assim como nas sondagens com as Regiões Escoteiras e Consultoria com a WOSM. Ou seja, a pandemia não criou a necessidade de mudança, apenas a tornou impossível de ignorar. O que já estava em curso ficou claro: renovar não era mais uma opção, e sim uma urgência. Especialmente com o foco em manter o equilíbrio com a tecnologia, mas sem abrir mão da vida ao ar livre e contato com a natureza.
Vale lembrar que, mesmo com a atualização do programa, o Método Educativo Escoteiro permanece o mesmo — fiel à visão de Baden-Powell, que nos inspira até hoje a educar por meio da vida ao ar livre, do protagonismo juvenil e da construção de valores sólidos. Os Fundamentos do Escotismo seguem sendo base estruturante de toda e qualquer ação, atividade, projeto ou iniciativa dos Escoteiros do Brasil.
As maiores mudanças dentre o Programa antigo e o atualizado são:
- Progressão Pessoal: A progressão deixa de ser apresentada a partir das tradicionais áreas de desenvolvimento (físico, afetivo, espiritual, intelectual, caráter e social) e passa a ser organizada em quatro eixos de desenvolvimento (habilidades para a vida, saúde e bem-estar, paz e desenvolvimento, e meio ambiente), que refletem demandas da sociedade e do mundo e claro, sem deixar de apresentar as técnicas escoteiras como algo essencial. Uma das principais mudanças é a integração das especialidades ao sistema de progressão pessoal. Agora elas se conectam aos quatro eixos de desenvolvimento e permitem que cada pessoa personalize sua trajetória no programa, escolhendo entre atividades sugeridas ou aprofundamento em temas de interesse. As especialidades ganham um novo papel de incentivar o aprendizado por curiosidade e reconhecer habilidades desenvolvidas dentro (ou fora) do Movimento.
- Especialidades: são mais um componente do Sistema de Progressão Pessoal, como parte das ações educativas para a obtenção de competências, privilegiando a prática, em três momentos (Conhecer – Fazer – Compartilhar). As especialidades possuem propósitos diferentes, por este motivo a proposta é diferente entre os Ramos Lobinho e Escoteiro (que ficará como atualmente conhecemos, com nível I e II) e os Ramos Sênior e Pioneiro (serão de um único nível e terá uma estrutura diferente baseada na vocação e no Projeto de Vida). A quantidade de especialidades está sendo avaliada e será diferente entre os Ramos Lobinho e Escoteiro do Sênior e Pioneiro.
- Caminho (Transição entre Ramo): é basicamente o período de transição entre um ramo e outro, podendo durar até 4 meses e é acompanhado por um distintivo do Caminho, diferente para cada Ramo. Durante esse tempo, o jovem tem a oportunidade de se ambientar, entender melhor como funciona o novo Ramo e se preparar para os próximos desafios. Ao concluir o Caminho, renova sua Promessa no novo ramo e dá início ao sistema de progressão pessoal.
- Reconhecimento de Ramo: Os distintivos especiais foram ressignificados e agora são os reconhecimentos de ramo, mas não deixaram de ser menos desafiadores! Ao invés de cumprir os requisitos de X especialidades obrigatórias, agora a proposta foca que jovem percorra sua progressão de forma completa, sem perder experiências essenciais que fazem parte da identidade escoteira (como acampar, ter contato com a natureza, participar das instâncias de decisão, como a corte de honra ou a assembleia de tropa), mas também que ele seja reconhecido pela vivência dos valores escoteiros. Assim, o destaque deixa de estar na conquista de várias especialidades e passa a estar no crescimento pessoal.
- Ramo Filhotes: surge o Ramo Filhotes, de caráter familiar, voltado a crianças de 5 e 6 anos. Com a presença obrigatória de um adulto responsável, o ramo propõe descobrir o mundo por meio de brincadeiras e experiências, sob o lema “Viver Juntos”.
- Modalidades do ar e mar no Ramo Lobinho e Pioneiro: o novo programa passa a incluir as modalidades do Ar e do Mar nos Ramos Lobinho e Pioneiro, com atividades específicas para cada idade.
- E, é claro, a identidade visual! Agora cada um dos ramos está com uma cara nova, mais coerente com o marco simbólico de cada um, integrando seus elementos, se adequando às características da atualidade e ao contexto da sociedade.
O resultado? Um Programa mais intuitivo e Manuais que realmente facilitam o dia a dia do voluntário e que priorizam que escoteiros façam coisas de escoteiros!

Os manuais estarão disponíveis gratuitamente para acesso do e-commerce da Loja Escoteira!
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Contamos com você para continuarmos evoluindo!
BIBLIOGRAFIA:
- História – site dos Escoteiros do Brasil (último acesso em 13/10/2025)
- O “SCOUTING FOR BOYS” ABRE PARA MULHERES: A IMPLANTAÇÃO DA CO-EDUCAÇÃO NO ESCOTISMO BRASILEIRO — Aldenise Cordeiro Santos, Dinamara Garcia Feldens. 2013. (último acesso em 13/10/2025)
- MULHERES NAS TROPAS ESCOTEIRAS: UM MOVIMENTO PARA PENSAR A CO-EDUCAÇÃO NO ESCOTISMO — Aldenise Cordeiro Santos, Lívia Lima Lessa, Anthony Fábio Torres Santana. 2011. (último acesso em 13/10/2025)
- 08 de março: realizações e conquistas de escoteiras de todo o Brasil — por Diulia de Paulo Cardia, publicado no site dos Escoteiros do Brasil, em 2023 (último acesso em 14/10/2025)
- Posicionamento oficial sobre homoafetividade — por Escoteiros do Brasil, em 2015 (último acesso em 13/10/2025)
- Irmãos Escoteiros? A inclusão e a exclusão de membros homossexuais nos grupos escoteiros brasileiros — Carlos Temperini, Marcos Versteeg. 2014 (último acesso em 13/10/2025)
- Representatividade LGBTQIA+ no Movimento Escoteiro — por Guilherme Schanner, publicado por Emerge Mag em 27/06/2023. (último acesso em 13/10/2025)
- AS TRANSFORMAÇÕES, E O FATOR A-TEMPORAL DO ESCOTISMO — por Luiz Carlos Gabriel, publicado por Centro Cultural do Movimento Escoteiro (CCME) em 2011. (último acesso em 13/10/2025)
- Escoteiros do Brasil: 100 anos da UEB — Antônio Boulanger, 1ª edição – Rio de Janeiro : Letra Capital, 2024. ISBN 978-85-7785-950-4
Ticket to Life: o futuro começa aqui
O Ticket to Life é uma iniciativa global da Organização Mundial do Movimento Escoteiro (WOSM), com apoio da Região Interamericana, que visa promover a inclusão social e a transformação de realidades por meio do Escotismo. O programa já mudou a vida de diversos jovens em situação de vulnerabilidade (que se encontram em situação de rua, em abrigos, refugiadas ou impactadas por desastres), especialmente em países da África e Ásia-Pacífico. E, finalmente, chegou aqui no Brasil!
Desde junho de 2025, ao longo de 11 meses, o projeto estará atuando em comunidades com desafios sociais relevantes e pouco acesso a oportunidades educativas, localizadas nos estados de Sergipe, Maranhão e Pará. A escolha dos estados considerou a necessidade de apoio ao Crescimento e Expansão, com foco na consolidação de novas Unidades Escoteiras e no atendimento a comunidades em situação de maior vulnerabilidade social. Crianças e jovens e diversas faixas etárias vivenciam atividades projetadas para promover seu desenvolvimento, desde as primeiras descobertas da infância até o protagonismo na juventude.

Quais são os objetivos do projeto?
- Engajar 300 crianças e jovens e manter pelo menos 150 deles ao final do ciclo inicial.
- Formar e registrar ao menos 30 adultos voluntários para apoiar a implementação local do projeto.
- Estabelecer pelo menos 3 parcerias.
- Promover ações comunitárias, encontros e acampamentos educativos.
- Consolidar a atuação institucional da UEB em áreas vulneráveis, impulsionando a implantação e o fortalecimento de Unidades Escoteiras Locais.
A proposta reforça o papel dos Escoteiros do Brasil de trazer oportunidades, projeção de futuro e transformação! Até abril de 2026, caminharemos lado a lado no projeto para mudar a histórias de vida dos envolvidos.
Nas próximas semanas iremos lançar uma página exclusiva ao projeto no nosso site, para que você possa acompanhar cada etapa do andamento, conhecer as comunidades envolvidas e conferir os resultados alcançados.
Escoteiros do DF nos Jogos da Juventude CAIXA Brasília 2025
Os Escoteiros do Distrito Federal participaram da abertura nos Jogos da Juventude CAIXA — a maior competição multiesportiva do país voltada à atletas de até 17 anos — conduzindo as quatro bandeiras nobres do evento: a dos Jogos da Juventude, do Comitê Olímpico do Brasil (COB), do Distrito Federal e a do Brasil. E seguimos presentes durante toda a programação dos Jogos com nossos jovens atuando na cerimônia de entrega das medalhas!
Campeão olímpico nos Jogos Rio-2016, o jogador de vôlei Bruninho acendeu a pira dos Jogos da Juventude CAIXA Brasília 2025 na noite da última quarta-feira (10/09). O cenário de fundo foi a Catedral Metropolitana da capital federal, coroando uma abertura emocionante realizada no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), diante de autoridades e delegações esportivas de todo o território nacional.
Organizado pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), com apoio da Secretaria de Esportes e Lazer do GDF, esta edição promete ser histórica: são 4.700 atletas de 20 modalidades diferentes, celebrando o talento, o esforço, a juventude e o espírito esportivo que transformam o futuro do nosso país.
Veja a notícia completa no site dos Escoteiros do Brasil (Região do Distrito Federal).




