Escoteiros do Brasil - Educação e lazer para crianças e jovens

Líderes do futuro: as mulheres na liderança dos Escoteiros do Brasil

9 de março de 2020


 

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Por Jéssica Weirich

 

Na definição das Nações Unidas em relação ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 5 – Igualdade de Gênero – a igualdade é necessária e essencial para que tenhamos um mundo mais pacífico, próspero e sustentável. E uma maneira de contribuir para isso é ter mulheres em cargos de liderança nas empresas e instituições de todos os tipos, inclusive nos Escoteiros do Brasil. Uma entidade na qual as mulheres correspondem a 40% dos seus associados precisa de outras mulheres capacitadas para representarem seus interesses a nível institucional no Movimento Escoteiro.

Um exemplo disso é a atual presidente do Conselho de Administração Nacional (CAN), Isabelly Castro. Ela é a primeira mulher a ocupar o cargo no CAN, órgão máximo dos Escoteiros do Brasil. De acordo com ela, por estar inserida em um contexto social, a instituição nem sempre é um ambiente receptivo ao gênero feminino. “Aqui também existe muito machismo e preconceito… Uma pena, mas é real. Muitos homens não sabem ser liderados por mulheres, e como ainda são a maioria nos cargos de comando, a falta de espaço e apoio a uma liderança feminina é o cenário que encontramos em várias ocasiões. Conseguir espaço e mantê-lo nesse cenário é um dos maiores desafios, sem dúvidas”, lamentou.

Apesar de desafiador, ocupar esses espaços é de extrema importância. Para Isabelly, as mulheres não podem deixar de participar dos espaços de liderança, pois precisam ser referência para os jovens na construção de uma consciência de igualdade de gênero. “Se somos grande parte do efetivo de nossa instituição, é essencial que tenhamos representatividade em todos os níveis. Nossa contribuição e nossa visão é muito importante para a condução dessa comunidade que pratica a co-educação”, explicou.

Outro exemplo a ser destacado é o de Lídia Ikuta, primeira mulher a assumir o cargo de Comissária Internacional nos Escoteiros do Brasil. Para ela, a instituição tem dado atenção ao tema igualdade de gênero apesar de estar inserida num país onde o assunto ainda é tema delicado. “A coordenação da Equipe Nacional de Diversidades tem realizado um trabalho incrível de empoderamento feminino. Embora tenhamos muitos passos a serem dados, estamos caminhando principalmente com oportunidades aos nossos jovens de participarem de programas, eventos, atividades e projetos que contribuem para o crescimento de cidadãos ativos”, contou. Lídia acredita que, para avançar ainda mais, é necessário realizar campanhas de conscientização, atividades e oficinas com foco em igualdade de gênero. Além disso, ela destaca a importância de compartilhar projetos nas comunidades onde estão inseridas as Unidades Escoteiras Locais e nas redes sociais.

Carla Neves, Diretora de Relações Institucionais na Diretoria Executiva Nacional (DEN), também defende que o tema deve estar em pauta em todos os níveis da instituição. “Incentivamos que ambos os gêneros convivam em matilhas e patrulhas, equipes de escotistas, diretorias. Convivam, se respeitem e possam convergir em suas ações na construção de uma sociedade mais justa, sendo agentes de replicação dessas práticas nos mais variados espaços de convívio social”, defendeu. Segundo ela, a instituição já avançou ao longo dos anos nesse sentido. “Temos hoje uma Diretoria Executiva Nacional com cinco homens e quatro mulheres; temos nosso Conselho de Administração Nacional presidido por uma mulher; igualdade quantitativa de gênero entre os profissionais do Escritório Nacional; e praticamente o mesmo percentual entre gêneros dentre o nosso quadro associativo. Tudo isso de maneira natural, sem cotas ou espaços marcados. Funções ocupadas por mulheres escolhidas por suas competências, escolhidas por seus pares e respeitadas por suas ações”, destacou.

A discussão sobre o assunto, segundo Isabelly Castro, é um grande avanço para a instituição. A presidente do CAN destacou que o Planejamento Estratégico (2016 a 2021) dos Escoteiros do Brasil traz objetivos que buscam igualdade de gênero como parte do marco de governança, garantindo que todos os espaços de liderança tenham a participação feminina. Além disso, essa ação afirmativa foi incorporada ao texto do novo estatuto proposto que será votado na próxima Assembleia Nacional. O programa HeforShe em parceria com a ONU Mulheres também é uma ação de destaque dos Escoteiros do Brasil nos últimos anos.

Para Paula Acirón, Diretora Jurídica na DEN, os homens são os protagonistas da instituição há anos, mas cada vez mais as mulheres têm assumido seu papel de liderança de forma efetiva. Paula acredita que isso é reflexo das mudanças que a sociedade também enfrenta, onde o empoderamento feminino está em pauta de diversas formas. Mas, apesar de estar em direção à igualdade, ainda há muito o que fazer para que o cenário seja ideal. “Tudo isso não é uma tarefa fácil, pois pelo simples fato de sermos mulheres, temos que apresentar um trabalho de qualidade e extremamente profissional, com resultados efetivos”, relatou.

As mulheres, apesar de ocuparem os espaços de liderança em diferentes níveis institucionais, ainda enfrentam muitos desafios em relação a igualdade de gênero. “Apesar da atual gestão acreditar e valorizar o protagonismo feminino, os Escoteiros do Brasil, de um modo geral, ainda tem suas ressalvas e o grande desafio é a valorização da mulher. A mulher de valor tem autoconfiança suficiente para entender seu papel e galgar os degraus necessários dentro da instituição. O protagonismo feminino advém exatamente de como a mulher se valoriza e se apresenta como profissional e executiva. Não quero espaço por ser mulher. Quero ser ouvida, por ser competente”, defendeu Paula.

Para Cristine Ritt, vice presidente da Diretoria Executiva Nacional, a reflexão acerca de nosso histórico, a avaliação de nossos avanços e o trabalho em busca da equidade de gênero nos espaços institucionais dos Escoteiros do Brasil deve ser constante e presente em todos os ambientes, não só para que consigamos atender aos nossos objetivos estratégicos que buscam incentivar a participação feminina nos órgãos decisórios, mas também fazer com que o escotismo seja atrativo a mais jovens, meninas e mulheres. “Hoje, apenas 38% do efetivo jovem da instituição é composto por meninas e este percentual pouco mudou nos últimos 5 anos, isso nos traz preocupação e alerta, nos mostra, em números, que ainda temos um longo caminho na busco pelo equilíbrio.”

Quando a análise passa ao universo adulto, Cristine coloca que é justamente entre os dirigentes onde temos um maior balanceamento entre gêneros, 52% homens, 48% mulheres, porém lamenta que esta paridade não se reflete nos órgãos decisórios. “Hoje, se considerarmos as 27 presidências regionais, os 14 conselheiros eleitos e os 8 diretores nacionais, temos apenas 12 mulheres, 24% do número total, acredito que, por mais que tenhamos uma equidade entre homens e mulheres como dirigentes em nossa instituição, as mulheres ainda têm dificuldades de ascender aos órgãos maiores, de maior poder decisório, e isso mostra que precisamos continuar trabalhando, encorajando, motivando, abrindo caminhos e inspirando umas as outras na busca por uma instituição cada vez mais harmônica.”

 

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