Escoteiros do Brasil - Educação e lazer para crianças e jovens

Projeto de Grupo Escoteiro curitibano auxilia na revitalização de rio da cidade

16 de março de 2018


Entre os diversos projetos desenvolvidos pelos Escoteiros do Brasil, muitos grupos optam por impactar a sociedade por meio de atividades e ações ambientais. Como o próprio Baden-Powell nos ensinou, devemos “deixar o mundo um pouco melhor do que encontramos”, e agir ativamente em prol do meio ambiente é um dos pilares do Escotismo. Em Curitiba, cidade reconhecida internacionalmente pela sustentabilidade e pela relação da população com o meio ambiente, o Grupo Escoteiro São Luiz de Gonzaga (8°/PR) desenvolve desde 2006 uma ação direta de preservação do Rio Tarumã.

Contribuinte da Bacia do Rio Atuba – uma das que compõe o complexo de bacias hidrográficas da capital paranaense -, o curso do Rio Tarumã passa pelo Bosque de Portugal, um parque público da cidade, que abriga a sede do grupo escoteiro e onde acontecem suas atividades. Rodeado por propriedades residenciais, o local sofria com a ação do homem no despejar de lixo doméstico, afetando principalmente as águas. Por conta deste problema detectado, o Projeto Ekopuku Tarumã – Vida Longa ao Rio Tarumã foi desenvolvido pela Associação Educacional São Luiz Gonzaga, que mantém o Grupo Escoteiro. Renato Eugênio de Lima, presidente do Grupo Escoteiro São Luiz de Gonzaga, explica que o projeto surgiu propondo ações de despoluição e conscientização. “O projeto desde o início alcançou resultados muito importantes, além de ter mobilizado Escoteiros, a comunidade, os moradores. Tivemos importantes parceiros apoiando a causa, como a Fundação Banco do Brasil, a Itaipu Binacional, o HSBC. As entidades perceberam que era um projeto por uma causa nobre, que envolveu a comunidade. Para os Escoteiros se transformou em um projeto educativo, sobre sustentabilidade ambiental”, conta.

Neste contexto, duas escoteiras do G.E. São Luiz de Gonzaga embarcaram no projeto, atuando diretamente com a população do entorno do parque – especialmente crianças e estudantes. Rafaela Paluch da Rocha e Victoria Salomão Boschiroli ganharam destaque por inscrever uma das etapas do Projeto no Prêmio Jovem da Água de Estocolmo, evento organizado pelo Parlamento Nacional de Juventude pela Água (PNJA) e Associação Brasileira de Recursos Hídricos (ABRH). Em 2015, beneficiados por recursos da Fundação Banco do Brasil, o Grupo Escoteiro atuou com módulos de educação para a sustentabilidade focados em temas relacionados ao meio ambiente, como resíduos, consumo consciente, e principalmente a água, tendo como exemplo o Rio Tarumã. As atividades foram desenvolvidas por adultos voluntários e profissionais na área de meio ambiente e aplicadas por sêniores e guias do Grupo, juntamente com às crianças de escolas da área e escolas do Projeto Escotismo nas Escolas, sempre aplicando o Método Escoteiro no processo educativo. Rafaela e Victoria foram orientadas pela escotista Bethania Cristiane Herrmann, tanto na execução quanto na elaboração do projeto para concorrer ao prêmio,inclusive acompanhando as meninas na cerimônia de escolha e entrega do Prêmio.

Embora não tenham levado o prêmio, a dupla tem o sentimento de dever cumprido. Victoria conta que não imaginava que o projeto pudesse chegar onde chegou, e que foi uma experiência única poder apresentar o feito no 8º Fórum Mundial da Água, que aconteceu em Brasilia. “Além dos vencedores do prêmio de 2017, estavam presentes políticos da área de recursos hídricos e o embaixador da Suécia no Brasil”, explica. Rafaela, que acompanhou Victoria, destaca o interesse do público pelo projeto. “Com os presentes, pudemos trocar experiências, além de ter discussões sobre os nossos projetos e sobre a importância das atitudes da nossa geração para o futuro do país e do mundo. Mesmo não tendo o nosso projeto como o ganhador e representante do Brasil na fase internacional na Suécia, nós tivemos muito reconhecimento, e várias pessoas elogiaram a iniciativa e se mostraram realmente interessadas no projeto e no Movimento Escoteiro”, diz. A jovem Victoria esclareceu que o Projeto Ekopuku Tarumã é interessante por não depender tanto de tecnologia, e pela aplicabilidade. “É um projeto simples, e que aproveita o conteúdo aprendido pelos alunos em sala de aula, mas apresentando ações práticas de forma lúdica”, completa.

Outra etapa importante do projeto envolve justamente o monitoramento das águas do Rio Tarumã – o material colhido em vários pontos do rio, inclusive no bosque, é levado e analisado na sede do grupo pelos jovens que possuem um kit simples de análise da água. Outras análises mais elaboradas eram realizadas por laboratórios (coliformes totais, escherichia coli). O projeto no Bosque de Portugal também envolve conversas com associação de moradores, a fim de conscientizar sobre os bons hábitos na hora de descartar lixo doméstico. “Com certeza o trabalho dos Escoteiros ajudou muito, pois eles desenvolveram ações como passar de porta em porta pedindo pra cuidar do córrego, e o plantio de mudas, para melhorar o local e em termos de conscientização social foi bastante ativo e positivo”, declara Leila Maria Zem, Gerente de Educação Ambiental da Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Curitiba. Renato Eugênio diz que os planos são de expansão com “A ideia é continuar e avançar com o projeto, e já estamos buscando novos parceiros. Queremos transformar o Rio Tarumã em um exemplo nacional de despoluição e conservação ambiental”, conclui.

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