Contribuindo com a felicidade do próximo

28 agosto 2020

Vanessa Santana é Assistente Social e Akelá, agora ela começa um novo desafio, auxiliar as Unidades Escoteiras Locais nas atividades nacionais do Todos pela Saúde

No Dia Nacional do Voluntariado, celebrado anualmente no dia 28 de agosto, as ações individuais e coletivas de milhares de pessoas são celebradas em todo o país, e no Movimento Escoteiro não seria diferente. No Brasil, são mais de 100 mil jovens e adultos que estão sempre alerta para ajudar o próximo, inspirando mudanças positivas em suas comunidades e com o grande objetivo de construir um mundo melhor. 

Além de crescer como pessoa, colocar-se no lugar do próximo com empatia e solidariedade, o voluntariado acaba sendo também uma maneira de exercer a cidadania e mudar a realidade do outro. Quem compartilha desse sentimento e conta a sua história é a Vanessa Santana, Assistente Social e Voluntária do Grupo Escoteiro do Mar Ventos do Norte (243RS), de Osório, no Rio Grande do Sul. Escoteira há 27 anos, Vanessa entrou no escotismo, em 1993, com 10 anos, hoje atua como Akelá e Diretora Administrativa. 

“Entre fazer nada e ser indiferente ou ter a possibilidade de fazer do mundo um lugar melhor, com o voluntariado eu escolho todos os dias a segunda opção”, explica a assistente social que considera o voluntariado como um meio de proporcionar uma vida melhor ao próximo, e ao mesmo tempo um ato que transforma aquele que ajuda, tornando a todos pessoas melhores.

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Além do voluntariado no escotismo, Vanessa também já atuou em outras ações sociais durante a realização do curso de Serviço Social. Em 2017, como parte de um estágio curricular, as ações voluntárias foram realizadas em uma Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) no Lar da Velhice São José, em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre. E agora, por meio do projeto Todos pela Saúde, Vanessa vai novamente auxiliar no bem estar de centenas de idosos em mais de 600 ILPIs beneficiadas em 221 municípios em todo o Brasil.

Trabalhar com idosos requer atenção, paciência e empatia, especialmente porque muitos deles já não são tão ativos e necessitam de apoio para atividades motoras e, às vezes, também as neurológicas, visto que a agilidade do corpo e da mente já não são mais os mesmos. Ao mesmo tempo, há também idosos que continuam, mesmo residentes nas ILPIs, ativos e buscando se envolver em várias atividades propostas dentro das instituições. “É preciso se adequar de uma forma mais sensível e ver as possibilidades de estar interagindo melhor”, explica Vanessa. 

O interesse em trabalhar com idosos começou ainda quando Vanessa era escoteira. Filha única e morando em um local onde não havia outras crianças, o contato com as pessoas idosas foi natural, assim como o vínculo criado com elas. “Eles eram meus amigos e eu adorava ouvir as histórias e os ensinamentos, não os via como vovôs e vovós, os via como meus amigos. Essas lembranças e experiências vieram muito forte quando fui estagiar na ILPI. Ter a oportunidade hoje ser um agente de transformação na vida destas pessoas é gratificante, além de nos dar uma visão mais ampla para o envelhecimento e tudo o que estas pessoas ainda podem contribuir com a sociedade”, conta Vanessa sobre suas experiências pessoais, da infância ao curso superior.

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No Escotismo, Vanessa trabalhou o tema do cuidado com os idosos e a interação geracional como seu projeto de Insígnia da Madeira. Agora, com a pandemia afetando a todos, em especial os jovens que ficaram sem o contato presencial diário no ambiente escolar, e os idosos residentes em ILPis que não puderam mais receber visitas, a preocupação com a saúde mental de todos voltou a se tornar de importante relevância social.

Vanessa explica que os idosos residentes em ILPIS já estão por si fragilizados socialmente, sem as visitas presenciais – sendo elas de familiares, amigos ou voluntários – este processo só aumenta. E foi, mais uma vez, querendo fazer a diferença e buscando auxiliar os jovens e adultos, dentro e fora do escotismo, que Vanessa inscreveu-se como voluntária na equipe de apoio do Todos pela Saúde. “Esse projeto com certeza veio para acrescentar aos nossos jovens. A troca e aprendizado que pode ocorrer de ambos os lados é engrandecedor”, considera a assistente social.

A partir das suas experiências pessoais, profissionais, e também no Movimento Escoteiro, Vanessa vai atuar no Todos pela Saúde na equipe responsável por organizar dicas de atividades e prestar apoio às Unidades Escoteiras Locais. As relações humanas naturalmente são mais fáceis com aqueles que vivem em contextos semelhantes e compartilham dos mesmos interesses e faixa etária. E este será justamente um dos desafios do projeto: a convivência intergeracional, mesmo que remota, em tempos de pandemia e distanciamento social. Os jovens poderão aprender com com as experiências e as memórias culturais dos idosos e estes, por sua vez, também podem absorver conhecimentos importantes com a juventude, para uma melhor compreensão e aceitação dos tempos modernos. “É uma troca onde todos saem ganhando”, resume Vanessa.

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O Todos pela Saúde vem em um momento que o mundo está se reinventando. As Unidades Escoteiras que participarem terão uma grande oportunidade de apresentar aos jovens a importância do voluntariado, do auxílio ao próximo e da atuação na sociedade como agentes de mudança. Um aprendizado que será levado para toda a vida. Vanessa conta que “a partir dos trabalhos anteriormente já realizados, as atividades de relacionamento intergeracional revelam-se como um ponte entre as gerações, trazendo um novo olhar do jovem para o envelhecimento e para o seu protagonismo na vida das pessoas idosas.”

Pessoalmente, Vanessa destaca também a importância do voluntariado no mercado de trabalho, somando ao currículo um grande diferencial na hora da contratação profissional. O mercado de trabalho está cada vez mais competitivo e qualquer experiência a mais é decisiva para uma possível contratação. No caso do trabalho voluntário essa experiência é de grande peso. Muitas empresas hoje têm dado preferência a candidatos engajados em causas sociais, visto que o interesse em projetos do gênero traz características importantes como a preocupação com o próximo, a tomada de decisão, a proatividade e o trabalho em equipe, qualidades importantes para o bom desenvolvimento e crescimento profissional. 

Vanessa, que já teve experiências voluntárias no escotismo e no mercado de trabalho, destaca a importância destas ações para sua formação profissional. “Já atuei como educadora social, auxiliar de disciplina e também em projeto de fortalecimento de vínculos. Muitas vezes me vi aplicando atividades e trabalhando o projeto educativo do Movimento Escoteiro com os jovens de fora dele, por ver a importância e diferença que ele faz na vida destes.”

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Baden-Powell, há mais de cem anos, já tinha uma visão à frente do seu tempo e sabia da importância que o voluntariado teria na formação da sociedade e na educação de crianças e jovens. Hoje, em meio a um contexto social onde milhares de pessoas estão necessitando de apoio para passar por este momento difícil causado por uma pandemia global, uma mensagem de apoio, um sorriso sincero e um carinho mesmo que por meio de uma tela já são ações importantes de ajuda ao próximo. 

O Todos pela Saúde vem com este objetivo:  promover ações que colaboram com a saúde mental dos idosos, bem como o desenvolvimento de competências que compõem o programa educativo do escotismo. A partir do mês de setembro, e também durante o 8º Jamboree Nacional Escoteiro, jovens em todo o Brasil poderão participar com a produção de conteúdos e interações ao vivo em ambiente virtual, integrando os escoteiros com os idosos residentes em ILPIs. 

Neste Dia do Voluntariado não podemos esquecer que, o melhor meio para alcançar a felicidade é contribuir para a felicidade dos outros.

Texto: Gabriel Rodrigues | Foto: Arquivo pessoal

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