É difícil escrever uma mensagem neste início de ano sem fazer referência aos fatos tristes que ocorreram em janeiro.
O deslizamento de terra em Angra dos Reis, as enchentes em São Paulo, o terremoto no Haiti. Todos esses fatos tiveram vítimas fatais e ainda estão muito recentes em nossa memória, fazendo-nos lembrar o quanto somos pequenos diante da força da natureza e reforçando a mensagem de que a terra não pertence ao homem, mas o homem é quem pertence à terra.
Porém, como disse Dom Paulo Evaristo Arns ao saber da notícia da morte da sua irmã, Zilda Arns, “não é hora de perder a esperança”. E “que nosso Deus em sua misericórdia acolha no céu aqueles que na terra lutaram pelas crianças e pelos desamparados”.
No tocante ao deslizamento de terra em Angra dos Reis e às enchentes em São Paulo, fatos que poderiam ser mitigados por ações ambientais mais efetivas, é importante lembrar da célebre carta do Chefe Seattle ao Presidente dos Estados Unidos Franklin Pierce, escrita em 1854, e que pode servir de interessante material para reflexões e debates em nossas Seções Escoteiras (a íntegra dessa carta pode ser obtida no Google).
Nessa carta, o Chefe Seattle diz ao presidente americano: “Tudo quanto agride a terra, agride os filhos da terra. Não foi o homem quem teceu a trama da vida: ele é meramente um fio da mesma. Tudo o que ele fizer à trama, a si próprio fará.”
E, mais adiante, finaliza: “Nunca esqueças de como era esta terra quando dela tomaste posse. E com toda a tua força o teu poder e todo o teu coração - conserva-a para teus filhos e ama-a como Deus nos ama a todos. De uma coisa sabemos: o nosso Deus é o mesmo Deus, esta terra é por ele amada. Nem mesmo o homem branco pode evitar o nosso destino comum.”
Ao longo dos últimos 100 anos, o Escotismo tem feito a sua parte preservando o meio ambiente, mas acreditamos que podemos ser ainda mais efetivos nessa matéria, colocando a questão ambiental na ordem do dia em todas as nossas ações junto às Seções Escoteiras.
Com disse o Chefe Seattle, “Deves ensinar a teus filhos que o chão debaixo de seus pés são as cinzas de nossos antepassados; para que tenham respeito ao país, conta a teus filhos que a riqueza da terra são as vidas da parentela nossa. Ensina a teus filhos o que temos ensinado aos nossos: que a terra é nossa mãe. Tudo quanto fere a terra - fere os filhos da terra. Se os homens cospem no chão, cospem sobre eles próprios.”
Lembrando, mais uma vez, Dom Paulo Evaristo Arns, “não é hora de perder a esperança”. Vamos seguindo nossa vida aqui na terra e, como nos falou B-P, procurando deixar esse este mundo um pouco melhor do que o encontramos.
Que neste ano do Centenário do Escotismo no Brasil consigamos tornar o Escotismo ainda mais "VERDE".
Um excelente ano de atividades escoteiras para todos!!
Rubem Tadeu Cordeiro Perlingeiro
Diretor-Presidente da UEB |